Teatro Municipal anuncia quatro óperas para 2016

Teatro Municipal anuncia quatro óperas para 2016

Orçamento da temporada artística é de cerca de R$ 18 milhões, que serão pagos pela prefeitura, sem ajuda da iniciativa privada

João Luiz Sampaio

16 de dezembro de 2015 | 20h51

O Teatro Municipal de São Paulo anunciou na manhã de hoje uma nova versão de temporada para o próximo ano. Serão apresentadas quatro óperas ­– La Bohème, de Puccini (remontagem de produção de 2013), Lady Macbeth de Mtsensk (produção do Teatro Helikon, de Moscou), Elektra, de Strauss, e Fosca, de Carlos Gomes. Além da série lírica, apresentações do Balé da Cidade e concertos da Orquestra Sinfônica Municipal ganharão séries de assinaturas próprias. Após recentes cancelamentos, o diretor geral da Fundação Teatro Municipal Paulo Dallari afirmou que toda a programação anunciada será paga com recursos do tesouro municipal, ou seja, não vai depender de patrocínios externos.

 

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A temporada do Municipal viveu um périplo nos últimos meses. Em julho, o maestro John Neschling anunciou em sua página do Facebook a realização de seis produções em 2016. Em setembro, na esteira do cancelamento de espetáculos de 2015, por falta de verbas, a temporada do próximo ano foi reduzida a três óperas. Há cerca de um mês, o Municipal divulgou em um site internacional uma agenda de cinco títulos. E, ontem, apresentou o número de quatro montagens, com o cancelamento do Don Carlo, de Verdi (segundo Neschling, a produção custaria R$ 4,6 milhões).

De acordo com Dallari, o custo total da temporada 2016 será “próximo a R$ 18 milhões”. Questionado pelo Estado, durante entrevista coletiva, sobre o valor de cada uma das óperas, o maestro John Neschling afirmou que “há algumas mais caras e outras mais baratas, mas a média fica entre R$ 1,8 milhão R$ 2 milhões”. Mais tarde, atendendo pedido da reportagem, a fundação divulgou o custo de cada produção de 2016: La Bohème (R$ 1,98 milhão), Lady Macbeth de Mtsensk (R$ 2,72 milhões), Elektra (R$ 3,23 milhões) e Fosca (R$ 3,71 milhões). Os valores, assim, sugerem uma média mais alta: R$ 2,9 milhões por produção. “Falamos em custo de produção, mas isso aqui não é uma padaria. Até porque uma grande montagem de ópera traz um valor para a cidade que não se mede em dinheiro”, disse Neschling.

Para Dallari, “nossa preocupação foi eliminar o condicionamento de receita”. “O que estamos anunciando é o que será pago com dinheiro do tesouro. Trabalhamos com custos realistas para montar um projeto viável de programação. Se conseguirmos captar mais, ótimo.” A dotação orçamentária prevista para o Municipal em 2016 é de R$ 112 milhões. Para Neschling, “dentro do que a prefeitura nos oferece, essa temporada está boa”. “É uma programação digna, bonita, rica, que abre mão da quantidade, mas não da qualidade”, afirmou.

A temporada de concertos do teatro vai incluir, entre outras apresentações, um Festival Beethoven, com todas as sinfonias e concertos do compositor. As assinaturas estarão à venda a partir de hoje. Foram mantidas as séries de concertos da Sala do Conservatório, como a do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, da Experimental de Repertório ou a dedicada à música contemporânea. Mais informações podem ser obtidas no site www.theatromunicipal.org.

Parceria

Desenha-se uma parceria entre os teatros municipais de São Paulo e Rio. Em 2016, o Rio recebe La Bohème, de Puccini, e manda para cá a sua companhia de balé. A ideia é que, em 2017, a cooperação continue. A produção da Fosca, de Carlos Gomes, será enviada ao Municipal do Rio e o Municipal do São Paulo receberá da instituição carioca uma montagem de outra ópera do compositor, Lo Schiavo.

“Prioridade”

Na coletiva de lançamento da temporada, outros assuntos foram levantados. Um deles foi o investimento na Central Técnica de Produção, fundamental para a formatação de um teatro de repertório, como anunciado por Neschling em 2013, quando assumiu o Municipal. Segundo ele, essa continua sendo uma prioridade, apesar de não ter sido possível investir nela. “Infelizmente a realidade é diferente do nosso desejo. E, mesmo que a central seja uma prioridade absoluta, não vejo possibilidade de isso acontecer hoje.”

Investimentos

Nabil Bonduki, secretário municipal de Cultura, reafirmou a preocupação de que o Teatro Municipal deve pertencer à política cultural do município, para evitar que a música clássica “fique à margem”. “Apesar da crise” – e da redução na programação -, ele também festejou o aumento de 10% do repasse do tesouro para o Municipal. Sobre os custos de produção, ele ofereceu um outro olhar. “No fundo, precisamos levar em conta que a parte maior do gasto já está resolvida: são os corpos estáveis, no qual o teatro já investe, agora no regime CLT. Na verdade, quando se pensa assim, quanto mais espetáculos se produzir, mais barato fica”, disse.

Alma Brasileira

O espetáculo Alma Brasileira, que teria a música de Villa-Lobos apresentada em um contexto multimídia idealizado pela trupe catalã Fura del Baus, está suspenso por tempo indeterminado. O projeto foi anunciado este ano como uma parceria de diversos teatros brasileiros, entre eles o Municipal, com chancela do MinC, que pagaria cerca de R$ 5 milhões por ele. Segundo Neschling, ele foi “construído de forma complicada” e o convênio entre as instituições esbarrou em “dificuldades burocráticas”. Por conta disso, o MinC, segundo o maestro, optou por usar o dinheiro em outros projetos. Ainda assim, para Neschling, “é o espetáculo mais importante do ano”. “Mas vamos ter que buscar alternativas para fazê-lo acontecer.”

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