Para lembrar Alfredo Colósimo

João Luiz Sampaio

29 de setembro de 2009 | 16h23

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Recebi no começo da semana passada a notícia da morte do tenor brasileiro Alfredo Colósimo. Ele estava com 86 anos. Foi um dos grandes cantores líricos do país nos anos 50, 60 e 70. Além do grande repertório italiano, que interpretou em especial no Municipal do Rio, incluindo aí algumas turnês da companhia pela América Latina, participou de momentos históricos, como as estréias de “Izhat”, de Villa-Lobos, “O Contratador de Diamantes”, de Mignone, e “A Compadecida”, de José Siqueira. Dos anos 80 em diante reduziu bastante suas aparições no palco, apesar de continuar cantando até o ano passado em recitais com seus alunos, e passou a dedicar a maior parte de seu tempo ao ensino de canto (entre seus alunos está, por exemplo, o barítono Rodrigo Esteves). Estive com Colósimo no início do ano, no Rio, onde conversamos durante uma agradável tarde em seu apartamento no Flamengo. Com uma vista deslumbrante da Baía de Guanabara ao fundo, Colosimo falou longamente sobre sua trajetória, a dificuldade do início da carreira, a ida para a Europa, a volta ao Brasil, os colegas, o momento do Municipal carioca naquelas décadas lendárias. Bem-humorado, ele tinha carinho especial pelos colegas. Há alguns anos, sua família lhe preparou uma homenagem – uma caixa com três CDs com gravações históricas do Municipal: um para árias, outro para duetos e o terceiro para cenas de conjunto. É para nós uma das poucas fontes de áudio não apenas de Colósimo mas também de artistas como Clara Marise, Ida Miccolis, Gloria Queiroz, Santiago Guerra, Lourival Braga e Paulo Fortes (aqui você acessa todo o material). Para quem não conhece o trabalho dele, fica aqui um quarteto do Rigoletto do início dos anos 60, com a soprano Zilda Lourenço, o barítono Ricardo Villas e a mezzo Gesuína Pinheiro, gravado no Teatro Francisco Nunes, em Belo Horizonte. Não há homenagem melhor do que manter vivo o seu legado.

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