Osesp vai dedicar temporada 2020 a Beethoven

Osesp vai dedicar temporada 2020 a Beethoven

Nos 250 anos do compositor, grupo vai apresentar integrais das sinfonias, concertos para piano, sonatas para piano, obras corais e peças para violoncelo e piano, com grandes artistas internacionais e brasileiros

João Luiz Sampaio

01 de outubro de 2019 | 10h15

A música de Beethoven será o tema da temporada 2020 da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp). Os 250 anos do compositor serão celebrados com séries integrais das sinfonias, dos concertos para piano, das sonatas para piano e das sonatas para violoncelo, além de obras corais e do Concerto tríplice.

O novo diretor musical e regente titular Thierry Fischer vai reger as sinfonias de nº 1 a nº 8 – a Nona será apresentada ainda este ano, em dezembro, na despedida de Marin Alsop da orquestra. Fischer também vai reger, de Beethoven, a Missa solene.

Para interpretar os concertos para piano e orquestra, serão quatro pianistas: Paul Lewis (que toca ainda as Variações Diabelli), Alexander Melnikov, Louis Lortie e Jean-Efflam Bavouzet. Eles também participam da integral das sonatas para piano, ao lado de Andreas Staier, Fazil Say, Aleyson Scopel, Pablo Rossi, Ronaldo Rolim, Sonia Rubinsky, Eduardo Monteiro, Leonardo Hilsdorf e Lucas Thomazinho (a ausência de Nelson Freire na lista, nos concertos ou nas sonatas, é sentida).

Antonio Meneses fará a integral da obra para violoncelo e piano, ao lado de Ricardo Castro, com quem toca ainda o Concerto tríplice (junto com o maestro e violinista Claudio Cruz, que fecha o trio). Há ainda aberturas orquestrais e obras como o oratório Cristo no Monte das Oliveiras, com regência de Alexander Liebreich.

O maestro Thierry Fischer, novo diretor musical da Osesp (Divulgação)

Além das peças de Beethoven, a temporada traz um repertório mais audacioso. Fischer, por exemplo, vai reger em sua maioria obras do século XX (como as Cinco peças para orquestra de Schoenberg e de Webern, as Três peças para orquestra de Alban Berg e as Notations, de Pierre Boulez), e do século XXI, como a estreia latino-americana de uma nova obra para violoncelo e orquestra de Tristan Murail (com solos de Jean-Guihen Queyras) e a estreia mundial de Ojí, de Paulo Costa Lima, uma das encomendas do ano da orquestra.

As outras encomendas são: uma obra do compositor residente, o australiano Brett Dean, para viola, violino e orquestra, que será estreada pelo artista residente, o violista francês Antoine Tamestit, e pela violinista Isabelle Faust; Cartas portuguesas, de João Guilherme Ripper, para soprano e orquestra (com regência de Pedro Neves, solos de Camila Titinger e direção cênica de Jorge Takla); Inferno, de Nuno da Rocha, para orquestra e coro (regência de Giancarlo Guerrero, em programa que tem também o Réquiem de Mozart); Salseando, de Roberto Sierra, um concerto para trompete encomendado em parceria com a Royal Philharmonic Orchestra (com Guerrero e solos de Pacho Flores); e a Sinfonia pastoral, de Nailor Azevedo (Proveta).

Outros destaques incluem Matias, o pintor, de Hindemith, com Marin Alsop; a Música do Velho Circo Russo, de Rodion Shchedrin, pelo maestro Vassily Sinaisky; Richard Armstrong, que rege a Sinfonia nº 8 de Bruckner; Stefan Blunier, com o Concerto para orquestra de Lutoslawski; Arvo Volmer, com a Quinta de Sibelius; e Alexander Shelley, que interpreta peças de Lili Boulanger em programa de música francesa.

Uma novidade importante: os preços dos ingressos sofreram uma redução de até 17%, o que impacta também o valor das assinaturas. Além disso, os ingressos do Piso superior e do setor do Coro terão preços de Vale Cultura (R$ 50 a inteira). Mais informações no site da orquestra.

Leia entrevista com o diretor artístico Arthur Nestrovski:

Nos 250 anos de Beethoven, o mundo musical naturalmente vai celebrar o compositor. Para além da efeméride, o que os levou a escolhê-lo como tema para a temporada 2020?Muito do que nos parece natural, hoje, numa sala de concertos, está ligado, direta ou indiretamente, à obra e à pessoa de Beethoven. Para início de conversa, ele mudou a ideia do que pode ser um concerto: sem perder a condição de arte pública, por exemplo, sua música pede um tipo de atenção semelhante ao da leitura de um texto. Mas Beethoven não mudou só a noção do que pode ser um concerto; mudou a própria ideia da música, definindo o caminho da modernidade, com repercussões até hoje. Há ainda outra dimensão crucial: Beethoven não apenas mudou as noções do que pode ser um concerto e da própria natureza da música; mudou a ideia do que somos, ou do que pode ser a humanidade – uma humanidade livre e justa. Nesses tempos estranhos que estamos vivendo, sua música só se faz mais e mais necessária.

Uma vez que Beethoven tornou-se o tema da temporada, como foi a escolha do repertório a ser apresentado?Resguardadas as condições de uma temporada de concertos, nossa intenção foi montar o mais amplo painel possível da obra de Beethoven. Difícil dizer com certeza, na falta de registros, mas tudo leva a crer que será o maior ciclo de suas obras jamais apresentado entre nós.

Esse é o primeiro ano de Thierry Fischer como diretor musical e regente titular. E ele começa sua relação com a orquestra com uma integral das sinfonias de Beethoven, com exceção da Nona, que Marin Alsop rege agora em dezembro. Qual o significado, para os músicos e para o público, de um novo maestro titular iniciar sua relação com a orquestra justamente com este ciclo?Não poderia ser mais apropriado, porque é o coração do repertório. E Thierry tem uma relação muito antiga e pessoal com essas sinfonias. Décadas atrás, como primeira flauta da Chamber Orchestra of Europe, ele mesmo tocou o ciclo completo, mais de uma vez, regido por Nikolaus Harnoncourt, uma experiência crucial na sua formação. Muito do que gostaria de fazer agora com a Osesp, em termos de evolução artística, já estará concentrado na preparação dessas obras, ao logo do ano que vem.

Além de Beethoven, boa parte do repertório de Fischer em 2020 está baseada nos séculos XX e XXI, com a estreia da obra de Paulo Costa Lima, por exemplo. Podemos esperar dele esse enfoque ao longo de sua gestão?Sim, mas não só. Thierry tem uma paixão especial pela música do nosso tempo e uma cabeça muito aberta para as novidades. Mas é também um supremo artífice do grande repertório e não abre mão de Haydn, Mozart e Beethoven.

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