Osesp: a temporada começou, mas o melhor ainda está por vir

João Luiz Sampaio

05 de março de 2010 | 02h49

A Osesp abriu agora há pouco a sua programação 2010, na Sala São Paulo, sob regência de Yan Pascal Tortelier, e deu a largada na temporada sinfônica do País. Apesar de um ou outro momento, a sensação que ficou para mim foi de certa decepção. Gostei da “Fantasia Sobre o Hino Nacional Brasileiro“, de André Mehmari, que substituiu a tradicional interpretação do hino no primeiro concerto do ano – e foi interessante a reação da platéia, com pessoas se levantando mesmo assim para acompanhar a execução da peça, encomendada pelo novo diretor artístico do grupo, Arthur Nestrovski. Confesso que esperava mais de Lars Vogt e do Concerto de Schumann – solista e orquestra pareciam muito pouco integrados. Não estou falando de falta de apuro técnico, muito pelo contrário – pianista e Osesp demonstraram estar em excelente forma; mas faltou a comunicação que pode fazer do Schumann um momento mágico de diálogo musical, entre os músicos e com a platéia. Na segunda parte, o “Prelude à L’après-midi d’un Faune“, de Debussy, soou burocrático. Já no “Salmo” de Florent Schmitt, a leitura de Tortelier tem achados interessantes. Mas na peça o balanço é fundamental na revelação de uma teia de texturas – e, no geral, a interpretação mostrou desequilíbrio entre coro, orquestra e solista, a soprano Susan Bullock, inaudível em boa parte de suas intervenções. O ano está só começando. E é bom ter a Osesp de volta à Sala São Paulo. O melhor, no entanto, ainda está por vir.