Ópera no São Pedro: uma conversa com Roberto Duarte

Ópera no São Pedro: uma conversa com Roberto Duarte

João Luiz Sampaio

30 de março de 2010 | 09h45

O maestro Roberto Duarte, diretor musical da orquestra do Teatro São Pedro

O maestro Roberto Duarte, diretor musical da orquestra do Teatro São Pedro

Cinco anos depois de ser transformado por decreto em espaço dedicado à ópera, o Teatro São Pedro vai ganhar sua própria orquestra. Criada pelo governo do Estado, a sinfônica vai estrear em 9 de junho e será comandada pelo maestro Roberto Duarte, anunciado oficialmente ontem como diretor musical, dividindo os trabalhos com Emiliano Patarra, regente-titular do grupo. Em 2010, R$ 3 milhões serão investidos na orquestra – para as próximas temporadas, a promessa é de um orçamento anual de R$ 6 milhões.

O São Pedro foi definido como espaço dedicado essencialmente à ópera em 2005, pelo então secretário de Cultura João Batista de Andrade. Sem corpos estáveis, no entanto, o teatro dependia, a cada espetáculo, da contratação de uma orquestra convidada, o que aumentava os custos – a produção de 2009 de I Pagliacci, por exemplo, precisou ser realizada com piano e pequeno conjunto de câmara por questões de orçamento. Para a temporada 2010, foram anunciados ontem cinco títulos; o primeiro, em abril, será Tosca, com a Sinfônica da USP. As demais produções já utilizarão a orquestra próprio do teatro. Com o Teatro Municipal fechado para obras, a programação operística de São Paulo neste ano deverá se limitar a essas montagens.

“Estou chegando na casa e ainda tomando pé da situação”, diz Duarte. “A temporada para este ano já estava praticamente montada e o desafio agora é formar essa orquestra.” Segundo ele, já estão inscritos cerca de 250 candidatos – e o prazo final para inscrições acaba no dia 15 de abril. “Haverá uma primeira triagem a partir de gravações e, em maio, serão realizadas as provas finais, com uma banca de especialistas em cada naipe de instrumentos. O primeiro ensaio está marcado para o dia 1º de junho e, nos dias 9 e 10, faremos o primeiro concerto, para apresentar oficialmente a sinfônica ao público.”

Duarte diz já estar pensando na programação de 2011. Com a reforma recém-realizada no fosso, diz, uma orquestra um pouco maior poderá ocupar o teatro. “Serão 55 músicos, o que vai nos permitir montar boa parte do repertório, todo Mozart, por exemplo, praticamente todo o Verdi. Os diretores cênicos terão responsabilidades grandes, afinal não se trata apenas do tamanho da orquestra mas, também, do tamanho do palco, e eles terão que inventar maneiras de aproveitar bem o espaço.”

Duarte conta ainda que, no começo do ano, participou de uma audição na qual ouviu 119 cantores. “Há pelo menos catorze ou quinze que estão prontos para começar a subir no palco. E isso é necessário. Estamos sempre em busca de cantores experimentados, mas onde é que eles vão ganhar experiência?” A ideia é introduzi-los nas temporadas, ao lado de cantores consagrados. “Tudo ainda será discutido, mas, pessoalmente, acho iniciativas como essa importantes, assim como a encomenda de óperas a compositores brasileiros.”

Programação

Tosca (Dia 29 de abril)
Com a Sinfônica da USP, a ópera de Puccini será regida por Ligia Amadio e terá direção de Fernando Bicudo.

Concerto inaugural (Dia 9 de junho)
A Orquestra do Teatro São Pedro faz sua estreia em concerto regido por Roberto Duarte e que contará com a soprano Adriane Queiroz, paraense membro do elenco da Ópera de Estatal Berlim, como solista.

Rigoletto (Dia 28 de julho)
A ópera de Verdi será a primeira montagem com a participação da nova orquestra. Duarte assina a direção musical e Livia Sabag, a concepção cênica.

Don Pasquale (Dia 24 de agosto)
O lendário baixo-barítono italiano Enzo Dara volta a São Paulo para assinar a direção cênica da ópera cômica de Donizetti. A regência será de Vito Clemente.

Norma (Dia 6 de outubro)
O cineasta Ugo Giorgetti assina a concepção do drama de Bellini, que terá regência de Emiliana Patarra.

A Viúva Alegre (Dia 1º de dezembro)
A temporada lírica será fechada com a famosa opereta de Franz Lehár, com regência de Emiliano Patarra e direção cênica de William Pereira, que já dirigiu Rossini no teatro.