Ópera em trânsito

João Luiz Sampaio

24 de setembro de 2011 | 11h47

Estou devendo alguns comentários sobre o “Lohengrin” de Buenos Aires, sobre o qual Irineu Franco Perpetuo já escreveu no site da Revista Concerto. Começar pelo que não deu certo é meio frustrante, é verdade, mas a grande decepção foi mesmo o tenor, o americano John Horton Murray: não se trata apenas dos problemas de afinação, que em alguns momentos beiram o constrangedor, mas principalmente da falta de cuidado com as linhas do canto e o descaso com a interpretação. E isso o coloca no lado oposto dos demais cantores, com destaque para o expressivo Telramund do barítono James Johnson e a Elsa de Ann Petersen, que cresceu muito ao longo do espetáculo, para não falar da autoridade do rei de Kurt Rydl. Mas o que a récita do dia 20 teve de melhor foi o trabalho do maestro Ira Levin. Pegada dramática, construída a partir do cuidado com os coloridos e dinâmicas – a regência de Levin é teatro puro, de tirar o fôlego, dá à orquestra protagonismo ao mesmo tempo em que dá liberdade aos cantores, para que explorem as matizes de seus timbres. Liberdade e disciplina. Uma lição de regência.

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Ainda no que diz respeito ao “Rigoletto” do centenário do Municipal, sobre o qual o xará João Luis Prada e Silva cobrou alguns comentários, me pareceu um espetáculo muito bonito plasticamente, mas que falha ao narrar o drama da personagem central. Na crítica que escrevi para o Caderno 2 detalho melhor o assunto. Sugiro, também, a leitura dos comentários de Leonardo Martinelli, no site da Concerto. E o texto de Jorge Coli, na Folha, que sugere que a montagem ganha em qualidade com o elenco nacional, que aparentemente teve melhor desempenho do que o vergonhoso cast internacional da estreia.

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Estou em Nova York, hoje assisto a segunda de Mahler com a filarmônica e Alan Gilbert; na semana que vem, Metropolitan: “Anna Bolenna”, “Barbeiro de Sevilha” e “Nabucco”. Mando notícias.

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