Oficina de Música de Curitiba é oficialmente cancelada

Oficina de Música de Curitiba é oficialmente cancelada

Evento, um dos mais tradicionais do país e da América Latina, vinha sendo criticado pelo prefeito eleito Rafael Greca; informação foi divulgada pelo maestro Claudio Cruz, responsável pelo núcleo de música erudita, em sua página no Facebook

João Luiz Sampaio

21 Dezembro 2016 | 12h31

O maestro Claudio Cruz, diretor do núcleo de música clássica da Oficina de Música de Curitiba acaba de confirmar o cancelamento do evento, que realizaria sua 35ª edição em janeiro de 2017. Ele deu a notícia em sua página no Facebook: “Após 34 anos ininterruptos o prefeito eleito decidiu cancelar, alegando falta de recursos. Nesses últimos 15 dias, tentamos de tudo, falamos com várias autoridades, mas nada mudou. Tivemos muitas inscrições, alto nível de alunos, grandes mestres foram contratados. Passagens compradas, programação feita, hospedagens reservadas, além das agendas dos artistas. Um desastre!”, afirmou o maestro.

34º Oficina de Música de Curitiba - janeiro/2016.

A Oficina é um dos mais importantes e tradicionais eventos musicais do país e da América Latina. Mas desde o início de dezembro vinha sendo alvo do prefeito eleito Rafael Greca (PMN-PR), que pediu pelo cancelamento do evento em nome da necessidade de se utilizar o dinheiro para investir em saúde. “Como pretendo priorizar o atendimento à saúde pública a partir de janeiro, não tenho outra saída senão adiar a despesa com a oficina de música”, disse Greca em sua página no Facebook. O comentário gerou enorme repercussão nas redes sociais e na classe musical brasileira, incomodada com a definição do investimento em cultura como “vilão” de outras áreas.

A oficina é realizada por meio de um contrato de gestão entre o Instituto Curitiba de Arte e Cultura (ICAC) e a Fundação Cultural de Curitiba, órgão do município. O orçamento inicial passou de R$ 1,7 milhão para R$ 1,3 milhão, que seria pago em duas partes, uma este ano e outra após a realização do evento. Até agora, a prefeitura já havia repassado R$ 420 mil. Mesmo assim, e apesar da repercussão negativa, Greca reforçou que “temos que escolher entre a dor do povo e o prazer de fazer música”.