O testamento musical de Jacques Offenbach

O testamento musical de Jacques Offenbach

Theatro São Pedro apresenta os principais trechos de "Os Contos de Hoffmann" na série Cortinas Líricas, com regência do maestro André dos Santos

João Luiz Sampaio

02 Outubro 2015 | 11h56

O Theatro São Pedro apresenta hoje e domingo os principais trechos de Os Contos de Hoffmann, de Jacques Offenbach. O elenco é composto por membros da Academia do teatro e solistas convidados: Paulo Mandarino (Hoffmann), Rapahel Thomas (Lindorf, Coppéllius, Dapertuto e Dr. Miracle), Daniel Umbelino (Andrès, Nathanaël, Spalanzani, Frantz, Pitichinaccio), Gustavo Lassen (Hermann, Crespel, Schlemil), Meghan Dawson (Nicklausse), Tatiana Beffa (Olympia), Camila Titinger (Antonia), Andressa Chinzarian (Giulietta) e Marly Montoni (Mãe de Antonia). A regência e direção musical são do maestro André dos Santos, que na entrevista a seguir fala um pouco de suas visões a respeito da ópera.

Jacques Offenbach

Jacques Offenbach

Como você define a importância de Os Contos de Hoffmann no contexto do repertório operístico francês?

Offenbach, alemão de nascimento, sempre teve o sonho de ser um compositor de grandes óperas. Sua situação como estrangeiro, judeu, jovem e desconhecido o levou a remodelar o gênero popular das já existentes operetas e vaudevilles e elevar a um nível extraordinário de técnica musical, de crítica política e social, essas formas populares de teatro musical. Assim se tornou conhecido e se tornou uma referência da nova cultura e da nova sociedade francesas. É interessante que o seu grande projeto de ópera, Os Contos de Hoffmann, estreado postumamente, invoque temas ligados às suas origens alemãs. Para mim, essa ópera é mais que um testamento musical, mas uma sublimação das vitórias e tragédias do artista.

 

Cada ato da ópera evoca um “mundo diferente”. Como você enxerga essa diversidade do ponto de vista musical?

Os “mundos diferentes” são as fantasias, sonhos e desejos de um artista incompreendido e atormentado pela incapacidade de se misturar em um mundo medíocre, onde as pessoas não conseguem ver o sublime da imaginação, do amor puro e da beleza artística. Então, sua imaginação o leva a cair perdidamente apaixonado por uma cantora de ópera, por uma cortesã e mesmo por uma boneca! A música só faz o que todo grande compositor sabe fazer: dar vida às palavras, às diferentes personalidades dos personagens, às vezes com sua marca inegável da paródia aos compositores em voga.

A nova edição da partitura resgata alguns trechos e mostra versões diferentes de algumas cenas em relação à versão consagrada pela tradição. Como enxerga essa edição mais recente em comparação com as antigas?

Quando se decidiu estrear a ópera, uma operação foi realizada para encontrar todos os números da obra. Muita coisa faltava e muita informação a partir do libreto original levou os “restauradores” a retirar peças de suas operetas anteriores (é o caso da famosíssima Barcarola), ou de realmente orquestrar ou compor números novos, também o caso do famoso septeto do ato de Giulietta, número esse que se tornou tão querido do público que retirá-lo da ópera hoje em dia pareceria um sacrilégio. As edições Alkor e Keck trazem diversos números encontrados neste último século. Na minha opinião, tem coisas que são muito interessantes e válidas mas também existem números que não acrescentam grande coisa à obra. Deixo ao gosto de cada regente a opção pelo que preferem, seja como escolha musical ou histórica.

 

SERVIÇO

CORTINAS LÍRICAS
Os Contos de Hoffmann, de Offenbach
Hoje, dia 2, às 20 horas
Domingo, dia 4, às 11 horas
Theatro São Pedro
Rua Dr. Albuquerque Lins, 207
Telefone: (11) 3661-6600
Ingressos aqui ou pelo telefone 4003-1212