O que esperamos das transmissões de ópera no cinema?

O que esperamos das transmissões de ópera no cinema?

João Luiz Sampaio

31 de maio de 2014 | 11h15

A English Touring Opera e a Guildhall School of Music & Drama, de Londres, realizaram uma pesquisa no final do ano passado para avaliar o impacto das transmissões de ópera pelo cinema, que se alastraram nos últimos anos. E as conclusões parecem, à primeira vista, desanimadoras. São elas:

1) 81% dos entrevistados tem mais de 60 anos;
2) 85% afirmam que ver uma ópera no cinema não os torna mais propensos a comprar um ingresso para uma ópera ao vivo, no teatro;
3) Os comentários sugerem a divisão do público em três grupos: o primeiro acredita que nada se compara à experiência de ver uma óperano teatro; o segundo vê as transmissões como uma boa alternativa; e o terceiro considera a ópera no cinema um tipo diferente e novo de espetáculo, uma forma de arte em si mesma, e ter acesso a ela é tão importante quanto uma ida ao teatro.

Foram ouvidas 234 pessoas, entre outubro e dezembro de 2013, em diferentes salas de Londres. É um universo pequeno – e, portanto, é prudente relativizar os números e não tirar deles a conclusão de que a transmissão de óperas não tem grande impacto no mercado da ópera.

Mas, de qualquer forma, a pesquisa permite que se faça uma pergunta: qual seria o impacto esperado para essa transmissões?
A obsessão por novos públicos é um dos temas de ordem da ópera atual. E é importante que se pense no assunto. Mas, como toda obsessão, ela faz com que se ocupe um tempo gigantesco em torno de um assunto – sem que, ao mesmo tempo, sejamos capazes de olhá-lo com cuidado e distanciamento. Formação de plateia se faz de modo mais amplo – entram na conta a educação musical, programas de formação, ingressos mais baratos, novas técnicas de comunicação social.

É demais esperar que as transmissões ajudem a formar plateias? Não. Mas elas tem uma outra consequência, talvez mais importante: elas multiplicam plateias e dão a um teatro a possibilidade de atingir, em uma só récita, um número maior de pessoas. E isso pode servir tanto para as negociações com patrocinadores como, principalmente, para expandir a presença da ópera no tecido social e cultural. É algo de que ela anda precisando.

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