O que acontece no Teatro Municipal?

O que acontece no Teatro Municipal?

João Luiz Sampaio

12 de março de 2012 | 12h29

Foto de Sergio Neves/AE

O Municipal de São Paulo abre na semana que vem sua temporada sem ter anunciado sua temporada. Parece estranho, mas é isso mesmo. “La Traviata”, de Verdi, em montagem de Danielle Abbado com direção musical e regência de Abel Rocha, estreia no dia 22, quinta-feira. O número ampliado de récitas (11), reivindicação antiga do público, assim como a capacidade de atrair bons solistas, são sinais importantes e precisam ser ressaltados. Ainda assim, o silêncio oficial em torno da temporada já causa desconforto. A revista “Concerto”, em sua edição de março, publicou uma lista de oito títulos. Há coisas interessantíssimas, como um “Macbeth” dirigido por Bob Wilson, um novo “Pelléas e Melisande”, a continuação do “Anel” com “O Crepúsculo dos Deuses”, um “Orfeu e Eurídice” com direção de Antônio Araújo e regência de Nicolau de Figueiredo ou “O Rouxinol”, de Stravinski. A questão é: logo após divulgá-la, o teatro voltou atrás e não confirma a temporada. Sobre a “Traviata”, ficamos sabendo apenas porque os ingressos foram colocados à venda há pouco mais de uma semana. Também na “Concerto”, o maestro Abel Rocha fala de planos para 2013 e 2014, o que é bom, pois sugere a continuidade de trabalho de que o Municipal tanto precisa. Ainda assim, como falar dos próximos anos antes mesmo de se confirmar a temporada 2012? Até porque há um outro detalhe a ser levado em conta. O Municipal tem até maio para anunciar a escolha de um organização social que fará a sua gestão, uma vez que vence então o prazo para que o teatro se torne em uma fundação. Na temporada anunciada pela Concerto, não há, por conta disso, espetáculos previstos para maio, junho e julho, período em que a migração definitiva para a nova forma de gestão será realizada. É uma mudança que vai ditar os rumos dos Municipal para as próximas décadas, mas por enquanto sabe-se muito pouco sobre ela. Se a gente soma isso ao corte de R$ 6 milhões no orçamento para este ano e à demora no anúncio da temporada, a pergunta que me vem à cabeça é: o que está acontecendo no Municipal? Depois de três anos fechado, esperávamos respostas. No entanto, ao menos por enquanto, continuamos com as perguntas de sempre.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.