O melhor ficou para o final

O melhor ficou para o final

João Luiz Sampaio

28 Abril 2011 | 10h41

Por que, em meio a tantas versões disponíveis, uma orquestra se aventuraria a gravar uma vez mais as nove sinfonias de Beethoven? No caso da Sinfônica do Estado de São Paulo, as peças, registradas ao longo de cerca de oito anos, servem como testemunho de uma década de reinvenção do conjunto, depois da reformulação proposta e executada pelo maestro John Neschling. Do ciclo, estava faltando apenas a Sinfonia n.º 3, que sai agora, em edição nacional. A Eroica, como é conhecida a peça, não é apenas uma das mais ousadas criações de Beethoven, marco de sua reinvenção estilística comparável somente, no campo sinfônico, à célebre Nona. No contexto da integral da Osesp, é também a mais bem realizada. Não se trata apenas da sonoridade coesa, mas também da atenção às dinâmicas, em um todo contrastante e rico em expressividade. Curioso que, de março de 2009 e, portanto, já pertencente ao período de desgaste na relação entre Osesp e Neschling, a gravação também seja, no entanto, um lembrete do que, nos melhores dias, músicos e maestro sabiam produzir. Completa o álbum a abertura Rei Estevão, com regência de Tortelier. (Texto publicado no Caderno 2+Música)