O futuro da música

João Luiz Sampaio

26 de maio de 2009 | 14h20

“Fala-se muito no crescimento das vendas de música digital; porém, o que parece estar em questão, aqui, é menos o CD como suporte físico do que sua condição de protagonista e sujeito único da difusão de música no planeta. É nesse sentido que nos soa legítimo falar na morte do CD. Porque talvez não estejamos simplesmente diante de mais um período de substituição de formatos, em que o CD, depois de tomar a primazia do vinil, estaria cedendo seu lugar ao, digamos, MP3. O cenário atual parece consideravelmente mais complexo, colocando em xeque o próprio paradigma de circulação global de bens culturais.”

O trecho acima foi retirado da introdução de Irineu Franco Perpetuo para “O Futuro da Música Depois da Morte do CD”, que ele organizou ao lado de Sergio Amadeu da Silveira. É um livro primoroso. Parte do princípio que a morte do CD nos leva além da discussão de formatos, redefine toda a distribuição – e, mais do que isso, a própria dinâmica da criação musical. O pianista Eduardo Monteiro, por exemplo, fala do impacto das novas tecnologias sobre o estudo do piano – e o tipo de pianista que começa a ser formado. A relação estreita entre criação musical e avanço tecnológico é tema do compositor Harry Crowl, que em seu texto faz um panorama histórico dessa relação, tocando, inclusive, na questão dos direitos do autor na era da internet. E por aí vai, com textos do próprio Sergio Amadeu, de André Mehmari, Penna Schmidt, Ricardo Bernardes, Chico Pinheiro e por aí vai. Em resumo: é um livro que pega um tema bastante atual e o aborda fugindo do óbvio, com texto de gente que vive a música e analisa os impactos da tecnologia no dia a dia, capazes de demonstrar experiências próprias e ir mais além em suas discussões. Detalhe importante: o livro está disponível gratuitamente na internet, no site www.futurodamusica.com.br.

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