No Rio, com Mozart (5)

João Luiz Sampaio

06 de junho de 2009 | 20h29

Estive hoje em duas apresentações no Salão Leopoldo Miguez, na Escola de Música da UFRJ, aqui mesmo na Lapa, em frente à Sala Cecília Meireles. O prédio data do século 19 e já foi ocupado pela Biblioteca Nacional e pelo Instituto Nacional de Música, o que significa que por ele passaram personagens como Leopoldo Miguez, Alberto Nepomuceno e outras lendas da música brasileira. O edifício é uma pequena jóia do centro do Rio – e o Salão Leopoldo Miguez é um dos mais elegantes e bonitos salões de concerto que já conheci. Por tudo isso, é triste demais ver o estado em que está a escola. Paredes descascadas, descoloridas, marcas de infiltração, tudo muito sujo, mal conservado. O salão não tem mais cadeiras – foi preciso improvisar aquelas brancas, de plástico, para as apresentações. Tudo isso já seria escandaloso se não soubéssemos ainda que, há cerca de 5 anos, R$ 11 milhões foram investidos na restauração do prédio. No mínimo, trabalho muito mal feito. Coisas de Brasil – e de um centro do Rio de Janeiro que encontrei, desta vez, incrivelmente sujo e mal cheiroso. Às vezes é preciso abstrair o que se está ali, na paisagem à nossa frente, para ver a riqueza potencial do complexo arquitetônico de regiões como a Lapa ou a Cinelândia, de como esse poderia ser um encantador Passeio. Mas, aí, caímos de volta à terra. E a indignação só aumenta. Enfim, agora chega – daqui a pouco sobe ao palco a Filarmônica de Minas Gerais, e a gente volta a falar de música.

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