No Rio, com Mozart (2)

No Rio, com Mozart (2)

João Luiz Sampaio

05 de junho de 2009 | 12h40

Com o Concerto nº 20 a Sinfonia nº 40 na cabeça, ontem fui para a Sala Cecília Meireles para ouvir, entre tantos outros concertos, a apresentação do Trio K. 564, com a pianista Fany Solter, o violinista Daniel Guedes e o violoncelista Fábio Presgrave. A peça não é das mais célebres ou preferidas de Mozart, mas é da mesma época que o concerto e a sinfonia, seus anos de agrura em Viena, enfrentando dificuldades financeiras e tentando agradar ao gosto do público local. São muitos os contrastes. De cara, fica difícil relembrar por meio da música o contexto enfrentadO pelo compositor. Mas o primeiro movimento se encerra em um clima mais sombrio; em seguida, uma melodia gentil, tema que passa por diversas variações, até que, na quinta delas, assume formas trágicas em sua simplicidade. São muitos os mundos sugeridos por Mozart. E ponto para os intérpretes que nos revelam a possibilidade de cada um deles – Fany Solter, brasileira radicada há décadas na Alemanha, dá lição de música de câmara ao lado de dois de nossos mais celebrados jovens solistas. Um grande recital. Na quinta, a Folle Journée ainda começava a ganhar ritmo – o maior número de concertos está previsto para hoje e amanhã. Mas algumas destaques já se desenham. A pianista francesa Anne Queffélec ofereceu leitura espontâneas das sonatas K. 330 e K. 331, esta última uma de suas mais célebres composições. A Orquestra Rio Folle Journée saiu-se bem também em seu segundo programa, com o concerto para clarinete com Roman Guyot, intérprete de musicalidade madura, e o concerto para violino nº 3, com solos do violino do tcheco Pavel Sporcl, que chama mais atenção pela cor azul do que pela interpretação, correta apenas. E a maratona está só começando.

Roman Guyot durante apresentação na Rio Folle Journée

Piadinha maldosa, entrouvida ontem à noite no Teatro João Caetano:
Guyot não ofereceu nenhum bis depois do concerto para clarinete.
Explicou que seu instrumento foi feito especialmente para tocar Mozart e não “aceita” a obra de nenhum compositor. “Ué, mas ele não conhece nenhuma outra peça do homem?”

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