No Rio, com Maria João Pires e Beethoven..momentos

João Luiz Sampaio

13 de março de 2009 | 23h26

– Os músicos correm, tentam se proteger do aguaceiro do começo de noite carioca; dão de cara com a rua lateral da Sala Cecília Meireles alagada, entram pela porta da frente. O maestro chega entre eles? Onde está a pianista? “Chegou antes da chuva”.

Beethoven, Concerto para Piano nº 3, Maria João Pires, OSB, Minczuk

– Primeiro Movimento… Um tema, depois o outro; da orquestra ao piano, da certeza à contradição, a magia ganha corpo. A pianista entra na cadência, sombria, recupera a delicadeza, volta ao tema; desagua em intensidade, recomeço o diálogo com a orquestra. Em instantes, o crescendo final, Beethoven nos diz algo; acredita.

– Segundo Movimento…Ela olha de lado para o flautista, é como se estivessem apenas os dois no palco. Curva-se em direção ao teclado, recomeça, aos poucos levanta a cabeça, os olhos fechados, joga o corpo para trás, abraçado pelo som dos violinos.

– Terceiro Movimento…Ao maestro, sorri discretamente. Violoncelo, violas, então os violinos. Ela os acompanha com o olhar, o tom sombrio, em suspenso; ao mãos aos poucos se levantam, tocam o piano, que mais uma vez parece indicar um caminho possível.

Saint-Säens, Sinfonia nº 3, OSB, Minczuk

– O Poco Adagio começa, aos poucos, imperceptível. Ganha intensidade nas cordas, a melodia corta dentro da gente. O órgão soa como a intervenção etérea, fantasia que tira o foco e ao mesmo tempo faz com que doa ainda mais a melodia terrena.

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