No meu caminho, cantando…

João Luiz Sampaio

20 de fevereiro de 2009 | 01h08

Conversei rapidamente com o barítono Paulo Szot, que faz no ano que vem sua estréia no Metropolitan Opera House, de Nova York, na ópera “O Nariz”, de Shostakovich (a temporada foi confirmada no começo desta semana). Para quem não se lembra, Szot ganhou no ano passado o prêmio Tony de melhor ator pela atuação no musical “South Pacific”, na Broadway – o espetáculo deve seguir, aliás, para Londres… mas vou deixar ele contar.

Qual o significado de atuar no Metropolitan?
Bom, o sonho de cantar no Met existe secretamente dentro de todo cantor. Fiz quatro audições, dois “covers” e só agora depois das premiações com “South Pacific” fui chamado para cantar mesmo. É fascinante saber que foi através de um papel num musical que o Metropolitan me ofereceu dois papéis para as próximas temporadas. O significado disto é uma confirmação de tudo que sempre acreditei. A música e a arte não devem ser rotuladas ou avaliadas como algo de “maior” ou “menor” importância. Sempre acreditei em arte de qualidade e é isso que importa para mim.

Quais os novos planos na ópera?
Daqui a duas semanas embarco para Toulouse, onde canto minha primeira “Carmen” na França.Em seguida, volto a Nova York e no final de abril tenho um concerto no Avery Fischer Hall, com a New York Philharmonic regida por Marvin Hamlisch. Recebi um convite para cantar com o Metropolitan Opera num concerto no Central Park em julho. Em 2010, “O Nariz”, de Shostakovich, no Met, “Don Giovanni” em Dallas, concerto na Ópera de Miami. Em 2011, minha estréia na Ópera de Paris-Palais Garnier, em Cosi fan Tutte. E, em 2012, “Manon” de Massenet, no Met, com Rolando Villazón e Anna Netrebko.

E fora da ópera? Fala-se de você no teatro, no cinema…
Em janeiro tive a oportunidade de fazer algo que sempre tive muita vontade – o “Jazz at Lincoln Center” na sua série anual “American Songbook” proporcionou-me a realização deste sonho.Foi um Show com uma bBanda de 10 músicos onde incluí o meu “South American Songbook”.Cantei músicas brasileiras, bossa-nova e clássicos da canção popular brasileira. Na segunda parte do show inseri Jacques Brel, Grzegorz Turnau e obviamente standarts da música norte-americana. Foi uma experiência fabulosa e inesquecível. Já tenho agendados vários shows no ano que vem com esse repertório em importantes casas dos Estados Unidos, como o Orange County na costa Oeste e no Carnegie Hall com a New York Pops. “South Pacific” irá para Londres em 2011. Nunca pensei em fazer TV ou cinema. Recebi algumas ofertas sim, que por enquanto não estão confirmadas. Mas, se acontecer um dia, por que não?
Enquanto isso, continuo no meu caminho, cantando…

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