Músicos protestam; Fundação OSB rebate críticas

João Luiz Sampaio

11 de março de 2011 | 18h07

RIO – Músicos da Orquestra Sinfônica Brasileira fizeram no final da manhã de ontem uma manifestação em frente do Ministério do Trabalho, no centro do Rio. Acompanhados por artistas de outras orquestras cariocas, como a do Teatro Municipal e a Petrobras Sinfônica, eles se recusam a participar das audições de reavaliação propostas pela administração da orquestra, que começaram ontem e vão até o dia 18. A matéria continua aqui.

Hoje à tarde, a Fundação mandou um comunicado rebatendo questionamentos dos músicos na matéria acima. Reproduzo abaixo, na íntegra, o documento, assinado por Eleazar de Carvalho Filho:

Com relação à matéria publicada nesta sexta-feira no Caderno 2 – para a qual, cabe aqui dizer, a Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira sequer foi procurada para dar o seu depoimento – gostaria, como presidente da FOSB, de relatar que no dia 24 de janeiro uma correspondência assinada pela Comissão dos Músicos da OSB solicitava uma reunião com representantes da Fundação OSB para debater questões relacionadas às avaliações de desempenho individuais agendadas para março. No dia 18 de fevereiro, a reunião aconteceu na sede da OSB, com a minha presença e a de representantes dos músicos. Na ocasião, a Fundação OSB reiterou a obrigatoriedade do comparecimento às avaliações, que servirão como mais um meio para apurar o rendimento artístico e profissional de cada músico individualmente, juntamente com o processo avaliativo contínuo que é feito sistematicamente na nossa rotina de ensaios e espetáculos. A reunião foi encerrada com uma solicitação dos músicos para que o repertório escolhido pela direção artística fosse revisto – cabe aqui ressaltar que as obras selecionadas foram recentemente tocadas pela OSB nas suas últimas temporadas, fazendo parte do repertório sinfônico comum às orquestras. Uma reunião com a direção artística foi agendada para o dia 21 de fevereiro, para que questões como essas fossem debatidas diretamente entre as partes.

No dia 21 de fevereiro, diferentemente do que havia sido combinado, a Comissão dos Músicos nos comunicou que não haveria mais sentido em discutir repertório ou nenhuma outra questão referente às avaliações, pois haviam decidido, em assembléia realizada pela manhã, que 56 dos 58 músicos presentes não a fariam – ainda assim, atendendo à reivindicação do dia 18, a direção artística fez a modificação no repertório inicial. Seguindo prerrogativa legal, os músicos foram advertidos por escrito de que o comparecimento à avaliação era obrigatório e que a recusa em comparecer configuraria ato de insubordinação, sendo passível de punição.

No dia 3 de março, recebemos a visita de um membro do Sindicato dos Músicos e do presidente da Comissão de Músicos, que nos entregaram um ofício convidando a Fundação OSB a comparecer ao Ministério do Trabalho para uma mesa-redonda, com data sugerida para 10 de março. O objetivo, segundo o ofício, era discutir a avaliação de desempenho – embora os próprios músicos já tivessem encerrado o diálogo sobre o assunto, no dia 21 de fevereiro, conforme relatado acima. Imediatamente, a FOSB colocou-se à disposição para retomar o diálogo, respondendo que, a despeito do curto espaço de tempo que teríamos para conciliar as agendas de nosso representantes, envidaríamos nossos melhores esforços para estarmos presente. Em nossa correspondência, a FOSB esclarece também que, independente da mesa-redonda, as avaliações estariam mantidas até 2ª ordem –correspondência essa que foi recebida e assinada pelo presidente da Comissão dos Músicos e pelo representante do Sindicato.

No dia 4 de março – um dia após a solicitação dessa mesa-redonda, portanto – fomos surpreendidos com uma medida judicial movida pelo Sindicato em nome dos músicos, com o objetivo de cancelar a avaliação. No entanto, o pedido foi liminarmente rejeitado, tanto em primeira quanto em segunda instâncias, o que reforça a absoluta legalidade do que vem sendo praticado pela Fundação OSB. Devido à exiguidade do prazo, a Fundação solicitou a remarcação da data para a realização da mesa-redonda, o que mais uma vez comprova que estamos abertos ao diálogo. Entretanto, tendo em vista as medidas judiciais e a postura adotadas por esse grupo de músicos, cabe a nós uma reflexão mais profunda sobre a real intenção de dialogar por parte deles. No dia 10 de março, as avaliações de desempenho transcorreram normalmente, tendo comparecido 6 dos 15 músicos agendados. Hoje, 11 de março, compareceram 7 dos 11 músicos agendados. Acreditamos que até o dia 18, quando terminam as avaliações, teremos contado com a adesão de um expressivo número de músicos, que, com certeza, estão olhando na mesma direção que a Fundação. Estamos oferecendo excelentes condições de trabalho e um aumento substancial nas bases de remuneração dos músicos, que passam a receber entre R$ 9.000,00 e R$ 11.000,00 – há cinco anos, quando a atual direção artística atual assumiu, o piso era de R$ 2.200,00 e os salários estavam atrasados. Graças ao empenho de todos, conseguimos atrair uma série de patrocinadores importantes, fazendo com que o orçamento da OSB saltasse de R$ 6,4 milhões para R$ 35 milhões e propiciando à orquestra uma vida financeira saudável, que vai nos permitir dar os próximos passos para que a orquestra se projete internacionalmente – turnês e gravações de CDs e DVDs, entre outras ações.

Gostaríamos, para finalizar, de frisar que todos os músicos que fazem parte da OSB devem se sentir à vontade para procurar diretamente a Fundação OSB caso tenham alguma dúvida referente à avaliação ou a qualquer outro assunto relacionado às suas atividade na orquestra.

Eleazar de Carvalho Filho
Presidente da Fundação OSB

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