Música hoje: dois ciclos

João Luiz Sampaio

26 de agosto de 2013 | 01h14

CURITIBA

O domingo começou com o concerto de encerramento da Bienal, logo de manhã, no Teatro Guaíra. No palco, a Sinfônica do Paraná, comandada por seu regente assistente, Márcio Steuernagel. O diretor artístico da orquestra é o maestro português Osvaldo Ferreira, que integra o conselho artístico da Bienal ao lado de Harry Crowl e Maurício Dottori. Conversamos no sábado e ele falou bastante sobre como, quando assumiu a orquestra, esperava poder trabalhar mais sistematicamente com a encomenda de novas obras. Há falta de verbas, a temporada é menor do que gostaria, existe um enorme repertório ainda a ser introduzido para o grupo. O que o espanta é a falta de uma política pública, em especial no âmbito federal, que estabeleça diretrizes para a atividade sinfônica – mas essa é uma outra discussão. O fato é que, ao ser procurado pelos criadores da bienal, ainda em 2011, sugeriu a eles a realização de um concurso de composição, do qual a Sinfônica do Paraná poderia participar executando as obras finalistas. Neste ano, foram três: “A Menina Que Virou Chuva”, de Valéria Bonafé; “O Diálogo entre Vênus, Azrael e Ogum”, de Leonardo Martinelli; e “De Profundis”, de Igor Maia (na segunda parte do concerto, foi interpretada “Cartas Celestes 8 – Oré Jacytatá, para violino solo e orquestra”, de Almeida Prado, com o violinista Alessandro Borgomanero). Venceu Maia. Aos 25 anos, graduou-se em Haia, na Holanda; há três anos, de volta ao Brasil, fez mestrado na Unicamp; e, nas próximas semanas, embarca para o doutorado no King’s College, de Londres. Deve ficar lá três ou quatro anos – e prefere que sejam quatro. Falamos rapidamente após o concerto. “De Profundis” é de 2011, mas passou por extensa revisão nos últimos meses. De certa forma, diz, encerra um ciclo – e, às vésperas da viagem, abre outro.

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