Música hoje: criar espaços

João Luiz Sampaio

26 de agosto de 2013 | 01h17

CURITIBA

Durante o almoço, após o concerto de encerramento da Bienal Música Hoje, foi hora de conversar com os integrantes do entreCompositores. A bienal acontece por meio da conversa entre uma série de instituições da cidade – a orquestra sinfônica, a UFPR, a Escola de Música e Belas Artes do Paraná, a Fundação Cultural, o Sesc Paço das Artes – e de parceria com entidades como o Instituto Goethe. No conselho artístico, estão nomes-chave da música no Paraná, compositores respeitados em todo o País, como Harry Crowl e Maurício Dottori. Mas são os cinco autores do coletivo – Fernando Riederer, Márcio Steuernagel, Lucas Fruhauf, Luiz Malucelli e Vinicius Gisuti – os responsáveis por erguer o evento. E isso significa tanto discutir repertórios com artistas e escrever peças como gravar os concertos, levar e buscar artistas e convidados ao aeroporto ou dobrar os programas das apresentações. O grupo surgiu em 2002, teve um hiato entre 2006 e 2010. Seus integrantes estudaram em Curitiba e depois seguiram caminhos distintos, foram para Suécia (Malucelli), Áustria (Riederer), Alemanha (Giusti) ou optaram por permanecer no Brasil. Eles explicam o conceito do coletivo: trabalhar em conjunto não na composição das obras, mas na criação de um contexto no qual exista espaço para a individualidade de cada um. Lá atrás, promoviam concertos com uma temática específica e cada um deles escrevia uma peça que com ela se relacionasse. Para Steuernagel, no momento em que você aceita submeter seu processo de criação a um tema que lhe é colocado e que o fará se relacionar com as peças de outros autores, não deixa de lado sua individualidade mas, sim, o seu ego. É daí, complementam Riederer e Giusti, que nasce o espírito de parceria – e a percepção de de que, mais do que brigar com os colegas pelos poucos espaços disponíveis, é preciso se unir e dialogar para criar novos espaços e alternativas. Na Europa, percebe-se a mesma tendência entre os jovens, diz Malucelli. E Giusti lembra que espírito similar guia o Myotis Kollektiv, de Bremen, do qual faz parte; ou o Platypus, que Riederer ajudou a criar em Viena. Daí vem também a proposta inclusiva da programação – e a crença de que, em vez de estabelecer patrulhas estéticas, é preciso sugerir o diáologo.

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