Municipal terá cinco óperas, diz Abel Rocha, novo diretor

João Luiz Sampaio

25 de março de 2011 | 10h45

O Teatro Municipal, fechado para reformas desde 2009, estará pronto para produzir a partir de agosto e deverá exibir cinco montagens de ópera até o fim do ano. Quem garante é o maestro Abel Rocha, há um mês no posto de diretor artístico do teatro. Ele, no entanto, não quis precisar a data de reabertura do teatro. Rocha conversou na noite de quarta com o Estado; e, no domingo, na Sala São Paulo, faz sua estreia à frente da Sinfônica Municipal interpretando obras como as Quatro Últimas Canções, de Strauss (com a soprano Eiko Senda), e a Missa de Glória, de Puccini.

Como foi a escolha de repertório deste primeiro concerto. Qual a mensagem por trás dele?Uma das nossas primeiras decisões foi reconhecer que a Sala Olido não podia mais ser a sede da orquestra, não havia condições dignas de se apresentar ali. E, na hora de pensar o repertório, há algumas questões. Primeiro, uma maior participação do Coral Lírico. Em segundo lugar, ainda que a Sala São Paulo seja um palco sinfônico, é hora de assumirmos que a Municipal é uma orquestra de ópera e precisa manter relação com esse repertório. Não é hora de tocarmos Beethoven. Por que não trazer o lado sinfônico de autores como Wagner, Puccini, Strauss?

Um mês depois de sua posse, qual o estado do Municipal?O Municipal vive momento delicado. Ficou fechado e perdeu a rotina de trabalho que havia conquistado. E não apenas a rotina de trabalho artístico, perdeu também a rotina administrativa, a rotina de produção técnica. É hora de recriar essa rotina. E sabemos que a estrutura pública não é ágil, há uma lerdeza gigantesca que atrapalha. É claro que se este não fosse um teatro público, não estaria fazendo 100 anos, Mas ele precisa mudar de identidade e um passo importante é a transformação em fundação, Mas para isso é necessário apoio político.

Os corpos estáveis ficaram parados, a reforma ainda está em andamento, a burocracia impede planejamento a longo prazo. O que é possível, em termos concretos, fazer neste momento dentro do Teatro Municipal?Não se trata mais do que é possível mas, sim, do que vai ser feito. O Municipal, a partir de agosto, vai produzir cinco óperas, uma por mês. Em breve vamos divulgar a temporada completa. Não quero te dar datas, pois, uma vez entregue o prédio, não podemos achar que dá para montar uma ópera na semana seguinte, a equipe toda precisa ser treinada. Mas estaremos prontos para produzir a partir de agosto. E vamos honrar compromissos institucionais com outros teatros. Veja, quando assumi, foi numa situação difícil, com tudo acontecendo de uma vez só. Teria sido ótimo dizer: parem tudo durante dois meses e vamos começar de novo. Mas quis honrar os compromissos assumidos com instituições, artistas, ainda que fosse preciso mudar uma ou outra coisa.

O senhor disse que não haveria cancelamentos na programação, mas algumas apresentações não aconteceram. Por quê?Eu mantive todas as parcerias institucionais. Honramos os concertos programados no Sesc, por exemplo. O concerto dedicado ao compositor Edmundo Villani-Cortes foi cancelado, mas no domingo já tocamos o seu concerto para piano no Auditório Ibirapuera e vamos fazer ainda este ano o Te Deum, tudo isso em condições muito melhores do que as oferecidas pela Sala Olido. E quando uma direção sai, ainda mais abandonando coisas pela metade, você precisa mexer, repensar algumas coisas. Insisto: o que estava formalmente contratado foi cumprido; no mais, é natural que uma nova direção artística faça novas escolhas.

O senhor fala em cinco óperas. Quais são os títulos escolhidos?O anúncio dos títulos será feito oportunamente. Mas posso dizer que teremos uma ópera italiana, uma brasileira, uma francesa, uma alemã e uma opereta. A cidade merece essa opção diversificada, diferenciada, e o Municipal tem de oferecê-la.

Praticamente parados durante dois anos, grupos como a Sinfônica Municipal perderam em qualidade e autoestima. Como resolver essa questão? Isso só vai mudar quando os músicos forem exigidos e se sentirem honrados por um novo repertório, que os desafie e os permita mostrar seus trabalhos. Sair da Sala Olido, palco inadequado para um grupo como esse, foi importante. É um bom palco para concertos didáticos, por exemplo, mas a orquestra precisava de um palco adequado para que pudesse se apresentar perante o público com repertório que a prepare para a sua vocação verdadeira, as grandes óperas. É isso que devolve a autoestima, a musicalidade e a técnica a um grupo.

A declaração de Abel Rocha de que parcerias institucionais serão mantidas na programação de óperas para 2011 dá a pista dos títulos que devem ser apresentados. O Estado apurou que A Valquíria, de Wagner, e Rigoletto, de Verdi, serão as óperas alemã e italiana. No que diz respeito à francesa, L’Enfant e les Sortilèges, de Ravel, deve ser a escolhida; da mesma forma, A Menina das Nuvens, de Villa-Lobos, montagem de Belo Horizonte, pode vir a São Paulo. A programação de óperas será aberta em agosto. Os corpos estáveis, porém, já foram comunicados de que reabertura oficial do Municipal poderá ocorrer já no dia 11 de junho.

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