Mudanças no Teatro Municipal: prefeitura e Instituto Odeon rompem parceria

Segundo secretaria, decisão teria sido tomada em comum acordo, mas Odeon fala em "inverdades"

João Luiz Sampaio

14 Novembro 2018 | 11h05

O Instituto Odeon não será mais responsável pela gestão do Teatro Municipal de São Paulo. A Secretaria Municipal de Cultura e o Instituto Odeon decidiram romper o termo de colaboração firmado em setembro do ano passado, que previa uma atuação ao longo de cinco anos. Um novo chamamento para organizações sociais será publicado amanhã no Diário Oficial do Município e a expectativa é de que a substituição aconteça nos próximos 60 dias, período no qual o Odeon segue trabalhando.

A informação foi confirmada ao Estado pela Secretaria Municipal de Cultura na manhã desta quarta-feira, 14. Em nota, a secretaria afirma que o Instituto Odeon foi formalmente notificado hoje sobre a rescisão. Segundo o texto, “há muito a Fundação Theatro Municipal demonstra insatisfação com a gestão do Instituto Odeon”. “Após inúmeras reuniões, no dia 31 de outubro, o Odeon informou seu desejo de interromper o termo de colaboração em comum acordo com a Fundação do Theatro Municipal. Nesse dia, representantes do instituto entregaram documento propondo distrato bilateral com a data de 14 de novembro para sua formalização.” Procurado pela reportagem, o Instituto Odeon anunciou uma coletiva de imprensa para a tarde de hoje, na qual pretende esclarecer “inverdades divulgadas pela Secretaria Municipal de Cultura acerca da rescisão unilateral do termo de colaboração assinado com a Fundação Theatro Municipal para gestão do Theatro Municipal de São Paulo”.

O termo de colaboração coloca a lista de direitos e deveres que devem pautar a relação entre Secretaria Municipal de Cultura, Fundação Theatro Municipal de São Paulo e Instituto Odeon. Da parte do governo, espera-se que ofereça as linhas gerais a respeito de uma política cultural pública para o teatro; a partir desses conceitos, seria então papel da organização social executar uma programação e um plano de gestão próprios, com liberdade para tanto.

A relação entre a prefeitura e o Instituto Odeon, no entanto, foi marcada por desentendimentos desde o início, por conta do que foi entendido como ingerência da secretaria em questões ligadas ao teatro. Logo que a escolha do Odeon foi anunciada, por exemplo, a secretaria incluiu no edital a determinação de que os cargos de diretor artístico e regente titular deveriam ser escolhidos pela prefeitura e não pela OS. Nos últimos meses, fontes ligadas ao teatro afirmam que secretaria e prefeitura vinham batendo de frente em diversas questões, ligadas tanto à gestão quanto às linhas artísticas.

Histórico

A escolha de uma organização social para gerir o Theatro Municipal de São Paulo foi acidentada. Em um primeiro momento, foi declarada a vitória do Instituto Casa da Ópera, mas o fato do então diretor artístico do teatro Cleber Papa ser um dos criadores da entidade fez com que o Instituto Odeon pedisse a revisão das notas, enquanto o Tribunal de Contas do Município (TCM) determinou a apuração de eventuais irregularidades na classificação. A Casa da Ópera foi desclassificada, mas, segundo a prefeitura, por não ter  sido capaz de apresentar os documentos exigidos no momento da formulação do termo de parceria.

Post atualizado às 13h18, para incluir posição do Instituto Odeon