Morre, aos 86 anos, o maestro Benito Juarez

Morre, aos 86 anos, o maestro Benito Juarez

Maestro foi criador do Coral USP e, com a Sinfônica de Campinas, participou de comício pelas Diretas Já

João Luiz Sampaio

03 de agosto de 2020 | 12h34

Em 1976, o maestro Benito Juarez fez para o Estado um balanço de seu primeiro ano à frente da Orquestra Sinfônica Municipal de Campinas. E ressaltou dois aspectos. O primeiro, a presença de um público cativo de 10 mil pessoas. O segundo, os concertos realizados fora do teatro, em igrejas, praças, fábricas e presídios.

Quatro décadas depois, a nota em um pedaço antigo de jornal segue como testemunho vivo do que marcou sua trajetória: a ampliação da relação da música orquestral com o público e a procura por novas formas de diálogo artístico, no qual a música brasileira era sempre central.

Benito Juarez morreu na manhã de ontem, aos 86 anos. Nascido em Minas Gerais, estudou na Bahia com Hans Joachim Koellreutter antes de se radicar de vez em São Paulo. Sua trajetória está ligada a Campinas, onde foi diretor musical de 1975 a 2000: foi com a orquestra da cidade que em 1984 participou do comício pelas Diretas Já no Vale do Anhangabaú, tocando o Hino Nacional Brasileiro.

Mas o mesmo espírito esteve presente em outros projetos importantes. Em 1967, criou o Coral USP. O grupo marcou época, por diferentes motivos. A qualidade musical permitiu a interpretação de grandes pilares da música coral. Mas o conjunto foi além, incorporando a música popular brasileira, que Juarez levaria em seguida também para os seus concertos com orquestra.

Em um momento politicamente conturbado, era uma forma de posição política e não apenas artística. Juarez evocava a máxima de Brecht: a defesa de uma arte engajada, sim, mas de excelência. E, de quebra, ajudou a formar gerações de cantores e ouvintes. Um legado marcante.

 

Tudo o que sabemos sobre:

bienal música hoje

Tendências: