Morre, aos 85 anos, a soprano Montserrat Caballé

Morre, aos 85 anos, a soprano Montserrat Caballé

Cantora foi uma das principais artistas da ópera na segunda metade do século 20 e ganhou fama mundial após gravar disco com o cantor Freddie Mercury

João Luiz Sampaio

06 Outubro 2018 | 09h31

Morreu na madrugada deste sábado, 6, aos 85 anos, a soprano espanhola Montserrat Caballé. Uma das principais cantoras líricas da segunda metade do século XX, ela estava afastada dos palcos desde 2012, quando passou mal durante um concerto na Rússia. Sua carreira foi marcada por interpretações marcantes do grande repertório, que fizeram dela presença constante nos principais palcos do mundo. No início dos anos 1990, sua fama extrapolou o mundo da ópera com a gravação de um disco de canções ao lado de Freddie Mercury, líder da banda Queen.

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Caballé nasceu em 1933 em Barcelona. Sua primeira grande oportunidade nos palcos, responsável por lançá-la em definitivo, foi a ópera Lucrezia Borgia, de Donizetti, que ela cantou em Nova York em 1965 substituindo de última hora outra soprano. Desde então, suas interpretações para peças do período do bel canto tornaram-se referência.

“Ela foi a maior cantora bel cantista da era pós Maria Callas. Para aqueles que valorizam a beleza do som e o canto marcado pelo verdadeiro legato, ela não teve rivais desde Rosa Ponselle, nos anos 1920”, escreveu o crítico Martin Kettle, do Guardian, ecoando um veredito comum em análises de sua carreira.

Análise: Na arte de Montserrat Caballé estava o sentido da ópera

Com o tempo, ela atuaria em 90 óperas, num total de mais de 4 mil performances. Nos anos 1980, se uniu ao tenor José Carreras em uma série de registros de óperas como Lucia di Lammermoor e Tosca, regida por Colin Davis. Seu legado discográfico tem ainda marcos como Don Carlo (com Carlo Maria Giulini), Turandot (com Zubin Mehta), Norma (com Richard Bonynge), Andrea Chenier (com Riccardo Chailly), Mefistofele (com Oliviero de Fabritis), I Pagliacci (com Nello Santi) e Elisabetta, Rainha da Inglaterra (com Gianfranco Masini), entre outros registros.

Nos últimos anos, somou-se à sua trajetória uma polêmica provocada por problemas com o fisco espanhol. Em dezembro de 2015, após longa batalha judicial, ela foi considerada culpada por evasão fiscal e condenada a seis meses de prisão e a pagar uma multa de cerca de R$ 800 mil.

Diversos artistas celebraram, após a notícia da morte de Caballé, a vida e a obra da soprano. O tenor José Carreras disse na manhã deste sábado que “de todas as sopranos que ouvi ao vivo, não ouvi ninguém como Caballé”. “Era uma artista única, que me ajudou no início de minha carreira como tenor. Era vital, muito sensível, com uma versatilidade única. Esta foi uma das notícias mais tristes que poderia receber”, disse o tenor à Rádio Catalunya.

Em entrevista ao El País, o tenor Plácido Domingo afirmou que a morte da soprano foi uma surpresa. “Com grande tristeza recebemos uma notícia como essa. A morte de uma grande cantora espanhola, catalã, de grande qualidade humana. É uma tristeza muito grande”.

Guitarrista do Queen, Brian May disse em sua conta no Instagram que “Caballé foi uma inspiração para nós todos, mas em especial para Freddie”. “Sua voz maravilhosa estará sempre conosco”.

Uma das principais artistas da nova geração, a soprano Pretty Yende também lamentou a morte de Caballé. No Twitter, ela a definiu como “uma lenda e uma alma maravilhosa”.

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