Meneses barroco, no Rio

João Luiz Sampaio

06 de abril de 2009 | 22h27

Estou no Rio para algumas pautas e ontem estive na Igreja Nossa Senhora do Bonsucesso para ver o concerto do violoncelista Antonio Meneses com a cravista Rosana Lanzelotte e o violoncelista Alberto Kanji, dentro da temporada do projeto Música nas Igrejas. Eles montaram um programa interessante, com sonatas de Bocherini, Graziani, Bréval e Haydn. Por trás das peças, a gente dá de cara com o momento histórico em que o violoncelo deixou de ser mero acompanhamento e passou a ganhar status maior na obra dos compositores, eixgindo, aliás, enorme virtuosismo, como é o caso da sonata em sol maior de Bréval. O mais impressionante, porém, é o trabalho de Meneses com esse repertório. Conversei agora há pouco com ele sobre o tema e ele se define como um “amador” interpretando esses autores, ainda mais ao lado de artistas como Rosana e Kanji, que se dedicam há anos a estudá-los. Mas não se enganem – Meneses está longe de soar como um peixe fora d’água. Outro membro da família Kanji, o flautista e grande especialista em música barroca Ricardo, comentou que Meneses “tem uma intuição muito interessante para esse repertório”, à qual ele alia “uma paixão, uma intensidade muito rica”. E, claro, inteligente que é, se aventura entre os barrocos ao lado de uma grande especialista, Rosana Lanzelotte. Hoje no final da tarde eles entraram em estúdio aqui no Rio para gravar o repertório do concerto. Acompanhei a primeira sessão de gravação e a sensação é de que vem por aí um novo sucesso de Meneses.