Marin Alsop fica ou sai? Indefinições no Festival de Inverno de Campos do Jordão

Marin Alsop fica ou sai? Indefinições no Festival de Inverno de Campos do Jordão

João Luiz Sampaio

13 de abril de 2012 | 00h56

A pouco mais de dois meses do início do Festival de Inverno de Campos do Jordão, a Osesp ainda não tem uma definição sobre quem vai dirigir o evento. Na manhã de ontem, o Estado obteve a informação de que Marin Alsop, anunciada como diretora artística, abriu mão do posto, assim como seu regente associado, Celso Antunes, não assumiria mais a direção pedagógica. A informação foi confirmada em nota oficial da Fundação Osesp que, logo em seguida, porém, voltou atrás e afirmou que ainda está sendo negociada a participação de Alsop.

Segundo a nota da Fundação Osesp, havia de fato uma “primeira ideia” de contar com a participação de Alsop como diretora artística e de Antunes como diretor pedagógico, o que teria sido impossibilitado por problemas de agenda. “Como se sabe, a agenda de artistas de porte internacional como eles é preparada com cerca de dois anos de antecedência, ou até mais; e apesar do empenho de todos, não foi possível abrir suficiente espaço antes e durante as semanas do Festival para que Marin e Celso pudessem assumir os cargos. Não obstante, um e outro contribuíram direta e inestimavelmente na concepção inicial do festival.” Em seguida, a assessoria de imprensa da orquestra afirmou que a maestrina ainda tentava remarcar concertos de junho e julho para poder estar em Campos. Na agenda disponível no site da artista, entretanto, não há concertos previstos na segunda metade de junho – e, durante o mês de julho, seus únicos compromissos são com a Osesp, o que reforça a informação, obtida pelo Estado, de que indefinições quanto ao orçamento e diretrizes de trabalho teriam levado Alsop a recusar o posto.

A nota diz ainda que a nomeação de Alsop e Antunes nunca foi oficializada, era apenas um “projeto”. No entanto, em entrevista concedida ao Caderno 2 no início de março, Alsop confirmou sua posição à frente do festival e falou de seus planos, afirmando que usaria como modelo o Festival de Tanglewood, nos Estados Unidos, do qual participou o maestro Leonard Bernstein, seu professor. “Será muito excitante poder trabalhar em Campos”, disse a maestrina na ocasião. “É um festival que já tem um histórico importante, bem estabelecido, e vai nos permitir lidar com uma questão que é bastante importante para nós na Osesp: criar um ambiente apropriado para que jovens possam aprender, instrumentistas, compositores, maestros, ao lado de gente do mundo todo. E isso está ligado aos objetivos iniciais do festival, desde que ele foi criado.”

A gestão do Festival de Inverno de Campos do Jordão havia sido entregue à Santa Marcelina Cultura em 2009. No ano passado, no entanto, desentendimentos entre a organização social e a Secretaria de Estado da Cultura levaram à não renovação do contrato – e, em fevereiro, a secretaria anunciou a Fundação Osesp como nova responsável pelo evento. Na ocasião, Ana Flávia Souza Leite, coordenadora da Unidade de Formação Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, explicou a decisão como uma maneira de estabelecer maior integração dentro do Sistema Paulista de Música, do qual fazem parte a Osesp, o Projeto Guri, a Escola de Música do Estado de São Paulo e o Festival de Campos do Jordão. “A retomada da Osesp como gestora do festival vai promover maior intercâmbio cultural entre os alunos de música e convidados internacionais, dado o prestígio da orquestra”, disse.

Na entrevista dada por Alsop, publicada no “Caderno 2” do dia 8 de março, ela falou também da importância de ter a Osesp mais próxima do festival, como grupo residente – posto que ocupou em edições passadas, mas deixou de ocupar em 2011, após desentendimentos entre a direção artística da orquestra e da Santa Marcelina. No entanto, informações preliminares dão conta de que na edição de 2012 a Osesp fará apenas um concerto em Campos. Segundo a Fundação Osesp, “o programa do Festival será anunciado oportunamente”.

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