Maestro Luiz Fernando Malheiro deixa direção musical do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Maestro Luiz Fernando Malheiro deixa direção musical do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Maestro confirmou decisão ao blog, mas não quis detalhar os motivos; teatro deve sofrer contingenciamento de 46% em suas verbas

João Luiz Sampaio

14 de maio de 2019 | 14h54

O maestro Luiz Fernando Malheiro não é mais o diretor musical do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Segundo ele, a decisão de sair “é oficial” – acrescentando novo capítulo à situação do teatro, que vinha tentando se reerguer mas deve sofrer um contingenciamento de 46% em suas verbas, algo em torno de R$ 45 milhões.

Nos últimos anos, o Municipal viveu momentos dramáticos – o principal deles foi a falta de pagamento aos artistas, em 2017. No começo deste ano, o governo do Rio de Janeiro prometeu ajuda para reerguer o teatro, que anunciou sua temporada para o primeiro semestre (com óperas e uma série de concertos com grandes estrelas do canto lírico internacional) e já trabalhava na agenda do próximo ano. Ainda não se sabe, porém, o impacto que o contingenciamento terá na programação anunciada.

Internamente, artistas e funcionários falam em uma crise que não se limita à questão financeira – segundo eles, departamentos e funcionários do teatro foram incorporados pela secretaria, esvaziando a fundação e dificultando o dia a dia de trabalho. Há ainda questões relativas ao próprio funcionamento do teatro: no final de março deste ano, o ensaio geral da ópera Condor, de Carlos Gomes, que abria a temporada, precisou ser interrompido quando o ar condicionado parou de funcionar.

Malheiro, que é diretor artístico do Festival Amazonas de Ópera, atualmente em sua 22ª edição, não quis detalhar os motivos de sua saída. Ele vinha, no entanto, demonstrando descontentamento com as condições de trabalho dos corpos estáveis da casa. Sua saída se dá um dia após uma reunião em que músicos e a Secretaria de Cultura Economia Criativa realizaram reunião na Assembleia Legislativa do Rio. Os artistas questionaram o secretário Ruan Lira a respeito das condições de trabalho no teatro. Em resposta, Lira afirmou que nem ele nem o governador querem “o desmantelamento do Teatro Municipal”. “Seria maravilhoso ter o corpo artístico do Municipal com pleno funcionamento. Mas como vai pagar? Não tem dinheiro. A realidade é essa”. O contingenciamento no Municipal, no entanto, é 8% maior que em outros projetos da secretaria.

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