Julio Medaglia: “Não existe ópera tão emocionante e bufa quanto o Brasil”

João Luiz Sampaio

03 de agosto de 2012 | 19h27

Em conversa com o Estado, o maestro Julio Medaglia, que foi demitido hoje da direção artística do Teatro São Pedro, criticou a “incompetência” do Instituto Pensarte e disse que o secretário de Cultura informou ontem a ele que estava feliz “pela maneira como os desentendimentos haviam sido resolvidos”.

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“Estivemos em estado de tensão o tempo todo com o Pensarte. A produção do “Elixir do Amor”, tão elogiada pela crítica, só saiu por causa de caixas de calmantes e a disposição e conhecimento do produtor José Roberto Walker, que chegou a colocar dinheiro do bolso dele na produção. O coro que cantou na ópera, por exemplo, só assinou contrato um dia antes da temporada”

“Na semana passada, procurei o Pensarte porque as partituras das próximas óperas ainda não haviam chegado. Conversando com o PX Silveira, ele me disse que havia problemas de contrato ou algo assim e que elas só chegariam na época do início dos ensaios. Como pode um burocrata definir quando os músicos podem ou não estudar uma partitura? Batemos boca, saí de lá muito irritado.”

“Na segunda-feira, o secretário Marcelo Araújo nos chamou para uma reunião, nos entendemos, todo mundo se desculpou. Continuei a ensaiar para os concertos do fim de semana. Ontem, encontrei o secretário na Academia Paulista de Letras e ele me disse que estava feliz “pela maneira como os desentendimentos haviam sido resolvidos”, e pelo fato de que a programação sairia como prevista. Hoje, no entanto, depois do ensaio da manhã, fui chamado no Pensarte e comunicado de minha demissão.”

“Fala-se tanto do modelo de organizações sociais, mas ele não funciona se você escolhe pessoas incompetentes para trabalhar nelas. De onde vêm essas OSs? Que ligação tem com a cultura? O fato é que meus 50 anos de trabalho não valem nada. É uma pena. Não existe uma ópera tão emocionante e bufa como o Brasil.”