José Soares, maestro brasileiro de 23 anos, vence Concurso de Regência de Tóquio

José Soares, maestro brasileiro de 23 anos, vence Concurso de Regência de Tóquio

Regente assistente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, José Soares tem chamado atenção do público e da crítica por seus concertos em Belo Horizonte

João Luiz Sampaio

05 de outubro de 2021 | 01h45

O maestro José Soares, de 23 anos, venceu no último final de semana o 19º Concurso Internacional de Regência de Tóquio. Ele bateu concorrentes de oito países: o segundo lugar ficou com o francês Samy Rachid e o terceiro, com o inglês Bertie Baigent.

Na prova final, Soares regeu a abertura de La Gazza Ladra, ópera de Rossini, e o balé Petrushka, de Stravinsky, à frente da New Japan Philharmonic. Além de ser escolhido pelo júri, presidido por Tadaaki Otaka, Soares também venceu o Prêmio do Público.

A vitória é mais um capítulo em uma carreira breve, mas auspiciosa. Soares estuda na Universidade de São Paulo e teve aulas de regência com Cláudio Cruz e Fabio Mechetti, de quem se tornou assistente na Filarmônica de Minas Gerais.

O maestro brasileiro José Soares [Bruna Brandão/Divulgação]

No ano passado, conversei com Mechetti a respeito de Soares. “Quando Marcos Arakaki resolveu deixar o grupo, comecei a procurar um novo nome. Convidei uma série de jovens regentes que participaram dos laboratórios para reger e gostei muito do trabalho do José. Havia a questão da pouca idade, mas conversei com Cláudio Cruz, que comentou sobre a maturidade dele. E o que aconteceu neste ano mostrou todas as qualidades em que a gente até então apostava”, disse o maestro.

E o que aconteceu em 2020?

A pandemia fez com que a temporada prevista pela Filarmônica de Minas Gerais fosse substituída – com o agravante de que, nos Estados Unidos, Mechetti, diretor da orquestra e seu regente titular, não poderia vir ao Brasil.

Coube então a Soares assumir a orquestra em concertos com repertórios nada triviais, com destaque para as sinfonias nº 2, nº 4, nº 6, nº 7 e nº 8 de Beethoven. Com o detalhe de que as apresentações seriam transmitidas pela internet. Para o mundo todo ver. Um belo rabo de foguete, como o próprio maestro definiria.

A questão é que seu desempenho chamou a atenção tanto do público como de crítica, pela técnica e pela musicalidade. E pela cabeça no lugar.

“Poder fazer esses concertos e estabelecer uma relação com a orquestra é um exercício máximo de humildade. Eu sei que essa é uma oportunidade rara. E, para lidar com ela, é preciso ser humilde perante a magnitude dessas obras, além de, claro, estar bem preparado, no sentido técnico – e também humano. Para mim, o objetivo é desenvolver com os músicos uma relação o mais honesta possível”, ele me disse em novembro do ano passado, quando escrevi um perfil seu para a Revista CONCERTO.

“Tenho paixão por compartilhar a visão de uma obra, a mensagem de um compositor. O maestro, neste sentido, deve facilitar o trabalho dos músicos e buscar expandir as possibilidades artística de uma comunidade.” E tem mais. “Como jovem regente, você sabe que precisa primeiro aprender o grande repertório. Mas ele é enorme! E há uma questão também de vivência musical e artística. Mas entendo que minha função seja combater minha própria ignorância. Poder trabalhar no sentido de ampliar, expandir meu conhecimento.”

O caminho de Soares está apenas começando.

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