Il Trovatore traz intérpretes em ascensão

Il Trovatore traz intérpretes em ascensão

João Luiz Sampaio

06 de março de 2014 | 19h49

Il Trovatore no Teatro Municipal

 

A ópera Il Trovatore, de Verdi, abre neste sábado, dia 8, a temporada lírica do Teatro Municipal de São Paulo. John Neschling rege, Andrea De Rosa assina a direção cênica. Fiz para o Caderno 2 uma entrevista com o diretor (leia o texto aqui), que fala um pouco de sua concepção para a montagem – abandonar as convenções sem abandonar o texto, aproveitando o caráter confuso da história para explorar possíveis significados. Bom, leiam e me digam. Aqui, o prazer agora é outro. A produção tem dois elencos. Destaquei entre eles quatro nomes: o tenor americano Stuart Neill, a soprano chinesa Hui He, o barítono brasileiro Rodolfo Giuliani e a mezzosoprano brasileira Denise de Freitas – e alguns vídeos que nos preparam para as récitas.

Stuart Neill

“O tenor tem carreira extensa na Europa e nos Estados Unidos e já esteve aqui no Brasil – no ano passado, foi um dos cantores da Aida que marcou a estreia da gestão Neschling. Particularmente, gostei mais dele do que de Gregory Kunde – mas aqui é uma questão puramente de gosto pessoal, afinal cada um deles segue um caminho diferente de técnica e interpretação.

Hui He

É uma das apostas de John Neschling para este ano. Nascida na China, foi introduzida ao Ocidente pelo maestro Lorin Maazel, em meados dos anos 2000, quando começou a cantar nos Estados Unidos. Sua estreia no Scala e no Avery Fisher Hall foi com Tosca. Para resumir em uma – ou duas – palavras: é uma voz de temperamento forte. Fortíssimo.

 

Denise de Freitas

A meio-soprano está em um momento chave de sua trajetória. Surgiu como uma mozartiana de mão cheia, triunfou no repertório francês. Depois da primeira Carmen, iniciou um processo de mudança de repertório em direção a papéis mais pesados. Até agora, tem dado certo, com elogiadas apresentações de Frika, no Anel de Wagner, ou da própria Azucena, no Trovatore, ponto da montagem apresentada no ano passado no Festival do Theatro da Paz, em Belém.

 

Rodolfo Giuliani

A voz do barítono brasileiro não para de surpreender desde que ele surgiu no cenário. Lembra um pouco as vozes da época de ouro dos barítonos italianos, nos anos 50, 60. Tem conquistado espaço cada vez maior nos palcos brasileiros – e isso tende a aumentar na medida em que seu envolvimento cênico com os personagens for sendo refinado.

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