Governo paulista vai suspender atividades da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, dizem músicos

Governo paulista vai suspender atividades da Banda Sinfônica do Estado de São Paulo, dizem músicos

Informação foi dada a representantes de músicos durante reunião de conselho do Instituto Pensarte, organização social responsável pela gestão do grupo; segundo eles, haverá demissões em janeiro; ao "Estado", governo nega ter tomado a decisão e o Pensarte afirma que as informações divulgadas pelos músicos "ainda não são oficiais"

João Luiz Sampaio

15 Dezembro 2016 | 12h02

Texto atualizado às 12h45, para inclusão de posição da Secretaria de Estado da Cultura

 

A Banda Sinfônica do Estado de São Paulo terá suas atividades suspensas a partir de janeiro. A informação foi recebida ontem por músicos do grupo, após reunião dos conselheiros do Instituto Pensarte. Segundo eles, a organização social afirma que o contrato de gestão com o governo do estado, que se encerrava no dia 15, será prorrogado até abril, “porém a Banda NÃO terá atividades programadas neste período”. Na reunião foi discutido ainda um plano de demissões em janeiro.

Banda Sinfônica do Estado de São Paulo/Divulgação

Banda Sinfônica do Estado de São Paulo/Divulgação

 

O corte vinha sendo dado certo pelos artistas, que na semana passada realizaram uma manifestação em frente à Sala São Paulo. Em entrevista ao Estado, o secretário de Estado da Cultura José Roberto Sadek havia definido a posição dos músicos como “nervosismo”, uma vez que “ainda é cedo, antes da aprovação do orçamento para 2017, para sabermos se haverá a necessidade de cortes”. A secretaria reforçou essa posição no começo da tarde de hoje, em nota enviada ao Estado: “O orçamento ainda não foi votado na Assembleia Legislativa e, com isso, mantém-se indefinidos quaisquer ajustes nos programas e equipamentos para o ano que vem. Não houve qualquer notificação da Secretaria a esse respeito”, diz o texto. Os músicos, no entanto, afirmam ainda que, na reunião do conselho, foi dito pela direção do Pensarte que estas “determinações são exigência da Secretaria de Cultura”. Ao Estado, o Pensarte disse que  “as informações divulgadas pelos músicos ainda não são oficiais” e que ainda está sendo aguardada uma definição com relação ao orçamento de 2017.

De acordo com os músicos, há uma série de perguntas ainda não respondidas. Não está claro, por exemplo, se a partir de abril o grupo retomará suas atividades, o que parece difícil no caso de demissões em janeiro e uma vez que já se fala na possível migração de alguns artistas para a Jazz Sinfônica e a Orquestra do Theatro São Pedro. Em texto distribuído entre os músicos, há a informação de que “a banda continuará com seu nome no Pensarte” e fará “apenas os concertos do interior que serão patrocinados pela CCR”. Para esses concertos, “os músicos serão contratados”. Os músicos afirmam ainda que o Pensarte também se eximiu de responsabilidades, dizendo que estas “determinações são exigência da Secretaria de Cultura”.

Os músicos da Banda Sinfônica haviam criado um abaixo-assinado pedindo que uma emenda parlamentar da Assembleia Legislativa garantisse a sobrevivência do grupo. Na manhã de hoje, na página do Facebook intitulada SOS Banda Sinfônica, os artistas se pronunciaram.

“Ainda estamos nos organizando para saber que medidas tomaremos contra essa afronta ao patrimônio cultural de nosso estado e de nosso país! A decisão foi tomada pela Secretaria de Estado da Cultura. Todas as atividades estão suspensas de janeiro até abril. Teremos demissões em janeiro (não sabemos se da totalidade do grupo mas é o mais provável). No papel, a Banda existirá e cumprirá concertos patrocinados no interior com músicos contratados temporariamente (pelo que entendemos) a partir de abril. Em janeiro haverá convocação pública para esses concertos, de onde conclui-se que todos (ou a maioria) dos atuais músicos serão demitidos.  Banda será extinta enquanto grupo de músicos contratados que ensaiam regularmente e que tem uma história de 27 anos criando repertório, construindo excelência na execução e sendo referência musical em todo o mundo. A Banda como vocês conheciam, ao que tudo indica, não existe mais”, diz o texto, acompanhado da hashtag #somostodosbandasinfonica.

Os cortes na área de música do governo do Estado de São Paulo começaram no final de 2014. Deste então, a Osesp já perdeu cerca de R$ 20 milhões (e vive sob incerteza com relação ao próximo ano); o Projeto Guri teve redução de 37%; a Escola de Música do Estado de São Paulo, 15%. O Instituto Pensarte (que gere o Teatro São Pedro, a Banda Sinfônica e a Jazz Sinfônica), se forem mantidas as previsões de novos cortes, terá perdido algo em torno de 35% de seu orçamento.