Fundação homologa vitória da OS Sustenidos em edital para escolha de gestora do Teatro Municipal

Fundação homologa vitória da OS Sustenidos em edital para escolha de gestora do Teatro Municipal

Comissão de seleção negou integralmente o recurso apresentado pelo Instituto Baccarelli, que questionava notas dadas no processo; instituto diz que, após o acesso integral ao processo, "avaliará a pertinência de adotar medidas administrativas junto aos órgãos de controle ou propor as ações judiciais cabíveis"

João Luiz Sampaio

18 de maio de 2021 | 11h32

A Fundação Teatro Municipal de São Paulo homologou a vitória da Sustenidos Organização Social de Cultura no processo de chamamento para a escolha de uma nova gestora para o Complexo Teatro Municipal. Com isso, a entidade assume o teatro pelos próximos cinco anos, com um contrato que garante a ela repasse de R$ 600 milhões.

A Sustenidos havia sido a primeira colocada, obtendo maior nota no parecer da comissão de seleção, divulgado no dia 22 de abril. No entanto, recursos foram apresentados pelo Instituto Baccarelli, questionando a objetividade do processo, e pela própria Sustenidos, que pedia revisão para cima de suas notas.

Comissão de seleção negou recurso do Instituto Baccarelli no edital do Teatro Municipal (Foto Sylvia Masini/Fundação Teatro Municipal)

 

A comissão, no entanto, resolveu negar integralmente o recurso do Baccarelli e aumentar em um ponto a nota da Sustenidos.

Em seu recurso, o instituto questionava, por exemplo, o fato de a comissão ter, entre as trinta prestações de contas de outros contratos enviadas pela Sustenidos, escolhido aquelas em que não havia questionamentos feitos pelo Tribunal de Contas do Estado.

Na área artística, o Baccarelli também discutia a pontuação dada à proposta da concorrente, questionando a ausência de uma previsão de espetáculos a serem apresentados; e colocava em xeque a nota dada aos artistas indicados pela Sustenidos, que não teriam experiência comprovada no trabalho com a ópera e a música clássica, ao contrário do caso do maestro Isaac Karabtchevsky, indicado pelo instituto.

Em seu parecer sobre os recursos, a comissão afirmou que, no caso das prestações de contas, o edital não deixava claro qual procedimento a comissão deveria seguir no caso das proponentes enviarem mais do que as três exigidas e optou por uma “solução que não prejudicasse as proponentes”.

No que diz respeito à lista de espetáculos e à programação, a comissão julgou que o edital pedia apenas informações sobre a linha curatorial. “O quesito vanguarda foi analisado de acordo com os parâmetros traçados no edital e considerado atendido pela proposta, no que concerne a proposta conceitual e critérios de escolha da programação, que prescindem de uma lista detalhada de obras a ser apresentada”, diz o texto.

Sobre os artistas, a comissão afirmou que o foco era avaliar o currículo dos artistas à luz de outros projetos que já haviam realizado com a OS. No início da noite desta terça-feira, 18, o Instituto Baccarelli afirmou que vai avaliar a possibilidade de adotar medidas administrativas com relação ao resultado.

Por sua vez, a Sustenidos teve seu recurso, pedindo revisão das notas, aceito no critério nove, que tratava da “consistência técnica da proposta de formação, ampliação e diversificação de público”. Com isso, sua nota final foi 88, contra 83 do Baccarelli.

A Sustenidos já havia assumido o Municipal no dia 30 de abril, em um contrato de emergência para evitar a paralisação das atividades. E, como mostrou o blog, já vinha realizando mudanças na estrutura, demitindo profissionais de postos-chave e criando novos cargos, como o de superintendente, ocupado por Andrea Caruso Saturnino.

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