Filarmônica de Minas Gerais promove laboratório de regência

Filarmônica de Minas Gerais promove laboratório de regência

Quatro jovens maestros passaram uma semana em Belo Horizonte trabalhando com a orquestra e o maestro Fábio Mechetti

João Luiz Sampaio

02 de agosto de 2015 | 19h53

Quatro jovens regentes brasileiros participaram ao longo da semana passada do Laboratório de Regência promovida pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Leonardo David, Eduardo Pereira, Anderson Alves e Ana Beatriz Zaghi tiveram aulas com o maestro Fábio Mechetti e apresentaram, na noite de quinta-feira, a Sinfonia nº 4 de Beethoven, em concerto aberto ao público na Sala Minas Gerais.

Conversei com os quatro pouco antes deles subirem ao palco, onde cada maestro regeu um dos movimentos da sinfonia, sobre a experiência do laboratório. “A orquestra foi muito receptiva. O laboratório serve para que pudéssemos ajustar questões técnicas, de interpretação e também na dinâmica com a orquestra. Dá para ver se o que planejamos para o ensaio funciona e passamos pela experiência de ter que fazer ajustes, reavaliar as estratégias no contato com os músicos”, diz Ana Beatriz.

“Essa foi uma questão importante, a necessidade de adaptar o pensamento ao gesto vice-versa. Às vezes você tem a ideia musical na sua cabeça mas não consegue encontrar o gesto apropriado. O maestro ressaltou bastante isso”, diz Anderson Alves, regente da Orquestra de Câmara Providência e do Coral Sest-Senat. “Ele não interferiu na técnica propriamente. Mas mostrou para nós com clareza se algo funciona ou não, se estamos trabalhando com a melhor forma de extrair resultados da orquestra. E isso é a construção de toda uma vida”, completa Leonardo David, que é regente adjunto da Sinfônica do Espírito Santo e titular da Camerata Sesi. “A gente precisa saber muito bem o que quer e, depois, aprender a passar para o grupo. E isso pode significar a abertura para mudar de estratégia na hora do ensaio”, diz Eduardo Pereira, de São Paulo, regente da Banda Sinfônica do Exército.

Depois do concerto, uma conversa com Fábio Mechetti. Para ele, é função de uma instituição como a Filarmônica de Minas Gerais, além de suas séries de concertos, “participar da formação de novas gerações de compositores, instrumentistas e maestros”. É nesse sentido que surgiram projetos como o Tinta Fresca, concurso de composição, e o laboratório de regência, que está em seu sétimo ano. “As oportunidades para os jovens hoje são muito maiores do que quando eu comecei. Mas ainda falta, para o regente, a chance de trabalhar com uma orquestra profissional, refinando seu estudo, aprendendo na prática, inclusive com os erros”, diz. Nesse sentido, Mechetti chama atenção para o fato de que o laboratório não é propriamente um curso de regência. “Seria impossível fazer um curso em três dias e, além disso, esses quatro maestros já estão em outro momento, já iniciaram suas trajetórias profissionais”, ele explica. “A intenção é focar na eficiência do ensaio. O objetivo é usar o tempo para ensaiar, buscando resultados práticos – no caso, a preparação de um concerto –, mas é claro que questões estilísticas, de interpretação, acabam surgindo.”