Festival de Campos do Jordão será realizado em janeiro de 2021

Festival de Campos do Jordão será realizado em janeiro de 2021

Com isso, serão duas edições no próximo ano; atividade pedagógica voltará a ser realizada em Campos do Jordão, com exceção das atividades da Camerata do Festival.

João Luiz Sampaio

16 de julho de 2020 | 11h20

51.º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão, previsto originalmente para ocorrer em julho de 2020, será realizado entre os dias 2 e 31 de janeiro de 2021. O nome será mantido, apesar da realização no verão, e o evento seguirá as linhas de programação do ano passado, com um eixo clássico e outro popular-sinfônico, com a participação da Orquestra Jazz Sinfônica. O orçamento total previsto é de R$ 5,6 milhões.

A partir de janeiro, a parte pedagógica voltará a acontecer em Campos do Jordão – nas últimas edições, ela havia sido transferida para São Paulo em uma tentativa de diminuir os custos com hospedagens e alimentação dos alunos. O festival em janeiro não anula a realização de nova edição do evento também em julho de 2021.

“Todos os grandes eventos da secretaria previstos para o segundo semestre, como a São Paulo Gastronomia, a Festa do Imigrante e as viradas culturais estaduais, vão ocorrer de forma digital, por meio da plataforma Cultura em Casa. Assim, o Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão será o primeiro grande evento cultural do governo do Estado a voltar a ser realizado presencialmente”, afirma o secretário de Cultura e Economia Criativa Sérgio Sá Leitão.

Estão previstos para janeiro 110 concertos em sete palcos – incluindo um novo auditório do Parque Capivari, que passou a ser administrado pela iniciativa privada. De acordo com o governo, 80% das apresentações serão gratuitas. O objetivo é que todos os concertos sejam transmitidos pela televisão, pelo rádio ou pela internet.

 

Auditório Claudio Santoro [Divulgação]

Como substituição ao evento em julho, foi criada uma programação batizada de Festival de Campos do Jordão em Casa: entre os dias 17 e 31 de julho, a TV Cultura e a Rádio Cultura vão apresentar 17 gravações feitas ao longo da história do evento, com atrações que incluem concertos da Osesp e da Orquestra do Festival.

Na área pedagógica, não está prevista nenhuma ação digital para 2020. Segundo Fabio Zanon, coordenador artístico e pedagógico do evento, chegou a ser discutida uma edição virtual, que acabou abandonada. “Mas precisamos levar em conta que Campos é um festival de excelência. Isso passa pela seleção de alunos e também pela escolha de grandes professores. Além disso, o festival é uma academia orquestral e levamos também em consideração que muitos dos nossos bolsistas têm problemas de conexão com a internet. Sem contar que estaríamos usando a marca do festival, ligada à cidade de Campos do Jordão, para algo que teria pouco impacto dentro da economia da cidade.”

Ainda segundo Zanon, experiências como a realização do Festival de Música em Casa, que reuniu milhares de alunos de forma remota no início do mês, “mostram que há espaço para projetos de maior alcance”. “Atentos a isso, pretendemos criar condições tecnológicas para realizar webinários e classes públicas pela internet, estamos discutindo isso e pretendemos já ter alguma ação montada para janeiro de 2021.”

O festival, gerido pela Fundação Osesp, prevê a presença de 230 bolsistas e de 70 professores em um total de 1.600 horas de aulas. Duas novidades são o retorno da classe de composição e a criação de um curso específico para big bands.

A Fundação Osesp também anunciou alguns detalhes da programação de concertos. A Orquestra do Festival será regida pelos maestros Alexander Shelley e Neil Thomson; a Camerata do Festival vai trabalhar com Emmanuele Baldini, Claudio Cruz e Luis Otávio Santos; e a Osesp será regida em três concertos por Thierry Fischer, com sinfonias de Beethoven e obras de compositores brasileiros.

Também está sendo planejado um festival de piano, com nomes da nova geração que, segundo o diretor artístico Arthur Nestrovski, nunca estiveram no Brasil. “É um momento ingrato de agendas e está demorando mais do que gostaríamos para ter algumas confirmações que gostaríamos”, diz ele.

Com a volta da programação pedagógica para Campos do Jordão, foi retomada pelo governo a ideia de construção de um conservatório na cidade. “O nosso objetivo era ter novidades nesse sentido ainda em 2020, mas com a necessidade de readequação de verbas provocada pela pandemia, tivemos que adiar este plano”, diz Sá Leitão. A expectativa, segundo ele, é de que o projeto saia do papel em 2021 ou em 2022.

 

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