Festival Amazonas de Ópera deve mudar de formato

Festival Amazonas de Ópera deve mudar de formato

Evento pode desaparecer no formato atual, transformando-se em bienal ou tendo sua programação espalhada ao longo da temporada do Teatro Amazonas

João Luiz Sampaio

12 de abril de 2015 | 18h11

Teatro Amazonas/Divulgação

Teatro Amazonas/Divulgação

O Festival Amazonas de Ópera, o mais importante do gênero na América Latina, vive um momento de indefinição. Realizado normalmente no mês de abril, ele vem sendo adiado pelo governo, o que levou à informação sobre o seu cancelamento, como noticiado pelo Site Concerto. A notícia foi negada em seguida pela Secretaria de Estado da Cultura que, no entanto, não soube afirmar quando o evento será realizado. Isso porque, dentro da administração, discute-se uma alteração de formato, segundo a qual o festival poderia de fato desaparecer em seu formato atual, tornando-se bienal ou tendo sua programação distribuída ao longo do ano.

O futuro do Festival Amazonas de Ópera estava em suspenso desde o início do ano, quando o governador do estado, José Melo (PROS), acenou com a possibilidade dos eventos da secretaria de Cultura tornarem-se bienais, “para reduzir as despesas com produções externas, valorizar artistas locais e tornar o setor cultural do Amazonas mais popular”, segundo noticiou a imprensa local em janeiro.

As negociações entre a secretaria e o governo fizeram com que o início da produção do evento fosse sendo adiado mês a mês. No fim de semana, artistas fizeram circular a notícia de que o festival havia sido cancelado, o que gerou resposta, em nota oficial, do secretário de Cultura Robério Braga, negando o cancelamento de “qualquer atividade criada e mantida pelo governo do Amazonas”. “Estamos em fase de reorganização do Estado em face da reforma administrativa imposta pelo cenário de crise nacional. Estamos trabalhando em um plano de ajustes para nossas atividades que não se restringem somente aos festivais e muito menos somente ao de ópera. Para isso estamos ultimando parcerias privadas e definição de recursos públicos.”

O texto de Braga, no entanto, não diz quando o festival será realizado – ou mesmo se ficará para o ano que vem, em nova configuração bienal. O secretário não atendeu ao pedido de entrevista feito pelo Estado. Luiz Fernando Malheiro, diretor artístico do evento, também não quis se pronunciar sobre a questão. Mas fontes ouvidas pela reportagem apontam na direção de uma mudança de formato: as óperas reunidas na programação do festival seriam, a partir de agora, distribuídas pelo ano, incorporadas à programação regular do Teatro Amazonas. O festival, assim, deixaria de existir, na forma atual.

Criado em 1997, o Festival Amazonas de Ópera tornou-se, ao longo dos anos, o principal evento do gênero na América Latina. Foi responsável por dar novo dinamismo à cena operística brasileira. Primeiro, porque revelou novas gerações de cantores, diretores e maestros e, também, por ter apostado em um repertório audacioso e diversificado. Em Manaus, por exemplo, foi realizada a primeira montagem brasileira da tetralogia O Anel do Nibelungo, de Wagner. E a programação do evento conta com estreias importantes em terras brasileiras, como a das óperas Lady Macbeth de Mtsensk, de Shostakovich, ou a Lulu, de Alban Berg. O evento também realizou ciclos importantes, como o dedicado às óperas de Carlos Gomes.

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