Fábricas de Cultura podem perder vagas e Doria deve rever corte no Projeto Guri

Fábricas de Cultura podem perder vagas e Doria deve rever corte no Projeto Guri

Repercussão de cortes no Projeto Guri levou governador João Doria a convocar reunião para buscar alternativas

João Luiz Sampaio

01 de abril de 2019 | 03h00

As Fábricas de Cultura, centros culturais localizados na periferia de São Paulo, já estimam perda no número de vagas a serem fechadas com a redução orçamentária proposta pelo governo do Estado. O contingenciamento de 23% da verba proposta para a Secretaria de Cultura e Economia Criativa deve ser repassado para as organizações sociais responsáveis pela gestão de alguns dos principais projetos de cultura estaduais.

Corte Projeto guri

Projeto Guri (Foto: Niels Andreas/Estadão)

Na sexta, 29, a previsão de fechamento de 170 dos 340 polos do Projeto Guri, dedicado à inserção social por meio do ensino da música, no interior e no litoral levou a uma mobilização no meio musical, com a criação da hashtag ficaguri e de um abaixo-assinado que até ontem já tinha mais de 150 mil assinaturas. Por conta da repercussão, o governador João Doria se reúne na manhã desta segunda com o secretário de Economia Henrique Meirelles e o vice-governador Rodrigo Garcia, que já vem negociando com as OSs, para discutir alternativas, que devem ser anunciadas na tarde em coletiva de imprensa sobre orçamento 2019.

“Sofremos um corte, em 2016, de 30%. Agora, serão mais 20%, ou seja, em três anos perdemos metade das nossas verbas, tornando difícil realizar aulas de música, teatro, circo para jovens que não têm outras formas de acesso à cultura”, diz ao Estado representante de uma das fábricas, que pediu para não ser identificado. “Além das 20 mil vagas, precisam ser fechados, por exemplo, os estúdios de gravação que permitiam a artistas da periferia gravar seus discos gratuitamente.”

Outros projetos também devem sentir o impacto da redução de verbas, que vem sendo quase anual desde 2014, e já atingiu instituições como a Osesp e a Escola de Música Estado de São Paulo, cujos alunos marcaram para quarta uma assembleia aberta à população para discutir a questão. No Theatro São Pedro, a indefinição impediu o anúncio da temporada completa do espaço dedicado à ópera para este ano. Fontes do governo do Estado falam no desejo do governador de reverter os cortes no Guri, mas não se sabe o impacto que a decisão pode ter sobre os outros projetos.

Segundo estudos preliminares da Abraosc, associação brasileira de organizações sociais de cultura, a redução de 23% proposta no orçamento, correspondente a R$ 148 milhões, pode levar a um corte de 60 mil vagas de ensino, além do fechamento de corpos artísticos. A secretaria, por sua vez, afirma que ainda está estudando, caso a caso, o impacto das reduções e que as metas são “minimizar as consequências e buscar mais eficiência e mais eficácia”. / COLABOROU PEDRO VENCESLAU

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