Fábio Barbosa substitui Fernando Henrique na Fundação Osesp; Marin Alsop agora é diretora musical

Fábio Barbosa substitui Fernando Henrique na Fundação Osesp; Marin Alsop agora é diretora musical

João Luiz Sampaio

25 de junho de 2013 | 13h46

Post atualizado às 18h55

O executivo Fábio Barbosa assumiu hoje a presidência da Fundação Osesp defendendo a “continuidade do trabalho” realizado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. “O objetivo é seguir pavimentando o caminho para que a orquestra possa desenvolver seu trabalho com excelência”, disse ele na manhã de hoje na Sala São Paulo, em entrevista ao lado de Fernando Henrique, em que foi anunciada também a criação de um Conselho de Orientação, do qual o ex-presidente da República e outros ex-conselheiros farão parte. A intenção, segundo FHC, é “garantir assim a manutenção dos princípios que guiaram o surgimento da fundação”. Também foi anunciada a “promoção” da regente titular Marin Alsop ao cargo de diretora musical da Osesp.

A nomeação de Barbosa põe fim a um longo período de especulações sobre quem assumiria a presidência do Conselho de Administração da Fundação Osesp, ocupada por Fernando Henrique Cardoso desde a criação da instituição, em 2005. A mudança na presidência não foi a única. O conselho passa a ter quatro novos membros: Heitor Martins, ex-presidente da Fundação Bienal; Helio Mattar, do Instituto Akatu; Eliana Cardoso, economista; e Antonio Quintella, membro do board da Filarmônica de Nova York. Deixam o conselho Horácio Lafer Piva, Pedro Moreira Salles e Rubens Barbosa. Piva e Salles também passam a integrar o Conselho de Orientação, ao lado de José Ermírio de Moraes Neto e Celso Lafer.

O Conselho de Orientação, segundo Fernando Henrique, estará ligado à fundação por dois elos. “O primeiro é pessoal. Se Barbosa quiser, estaremos aqui para ajudá-lo no que for preciso. O segundo é manter vivos os princípios fundamentais do projeto, assim como ajudar a escolher os nomes que vão compor o conselho administrativo.”

Ao tomar posse, Barbosa ressaltou o crescimento nos números da fundação de 2006 a 2012. Para ele, impressiona não apenas o aumento nas atividades (de 196 para 920 ao ano, segundo relatório interno da fundação), mas principalmente o crescimento de contribuições da iniciativa privada para o orçamento: em 2006, elas representavam 24% do orçamento; hoje, significam 43%. Nesse período, a verba estatal também cresceu: foi de R$ 44,2 milhões para R$ 55,8 milhões. “Esta é uma proporção que nos parece equilibrada”, disse Barbosa. “E um dos nossos objetivos principais é garantir que ela se mantenha. Não estamos focados em aumentar necessariamente a participação da iniciativa privada, mas sim em otimizar e acelerar os processos internos”, completou.

Fazendo um balanço de sua gestão, Fernando Henrique Cardoso lembrou que a demissão do maestro John Neschling foi o episódio “mais traumático” dos últimos oito anos, “pelo que ele significou para a orquestra”. “E sempre que posso me refiro ao maestro como o responsável pela consolidação da Osesp”, explicou. Ele ressaltou que sua atividade foi sempre institucional, e nunca “política”. “Não confundi alhos com bugalhos”, disse, garantindo que não teve problemas em momento algum com o governo do Estado. “Todos sabem da minha boa relação com o governador Geraldo Alckmin, com José Serra e mesmo com Fernando Haddad, que esteve aqui no início da temporada. Meu trabalho na Osesp nunca teve uma função partidária. E a orquestra goza, seja qual for o governo, de enorme solidez institucional perante a sociedade.”

>Sobre a transformação de Marin Alsop em diretora musical, Fernando Henrique garantiu que a decisão não está relacionada ao desentendimento entre músicos e o diretor artístico Artur Nestrovski – no final do ano passado, a orquestra emitiu comunicado questionando declarações de Nestrovski à revista “Veja” e definindo algumas de suas ações, como a nomeação do maestro Yan Pascal Tortelier para o cargo de regente de honra, como uma “afronta” aos músicos. “Fizemos isso, primeiro, para dar a ela um título mais universal”, explica. “E também para marcar o reconhecimento a ela pelo grande envolvimento que tem estabelecido com o grupo.” Alsop passa a responder, ao lado de Nestrovski, pela temporada da orquestra.

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