Entrevista com Luigi Alva

Entrevista com Luigi Alva

João Luiz Sampaio

05 de abril de 2009 | 13h12

O tenor Luigi Alva
Quem é esse senhor de expressão maravilhada, observando atento a torre do relógio da Estação Júlio Prestes? Na manhã de quarta-feira, ele provavelmente passaria despercebido. Mas, se em um efeito de edição em tempo real, o cenário do vai e vem do centro da cidade fosse trocado por um palco de ópera… Agora sim, aquele senhor é ninguém menos que Luigi Alva, o tenor ligeiro peruano que, nos anos 50 e 60, foi estrela do Scala de Milão, parceiro de Maria Callas em algumas de suas principais gravações. Aos 82 anos, Alva está em São Paulo como jurado do Concurso Maria Callas. Deu master classes, assistiu às provas eliminatórias da competição, cuja final será realizada hoje em Jacareí, no interior do Estado. Na quarta, de folga, aproveitou para fazer turismo pelo centro, onde esbarrou com a reportagem do Estado. “Estou contente de voltar a São Paulo. E o nível do concurso também me alegrou. É importante que iniciativas como essa unam os artistas latinos e valorizem a tradição do canto por aqui.” E o que achou das aulas? “Quando se nasce com boa voz, bom diafragma, caixa harmônica ideal, o jovem pode se considerar um escolhido. Mas, como um atleta, precisa treinar seu instrumento e encontrar o repertório ideal, a melhor maneira de utilizá-lo. O que acontece muitas vezes é que o jovem se enamora da própria voz e esquece que é o público que tem de gostar dele. É preciso um bom guia para mantê-lo no caminho.”

Continua aqui.

Caderno 2, 4/4/2009