Em reunião de conselho, direção do Municipal anuncia propostas para Coral Paulistano e Orquestra Experimental de Repertório

João Luiz Sampaio

14 de novembro de 2013 | 12h41

Ideia é que coro deixe o teatro e passe a responder diretamente à Secretaria Municipal de Cultura; orquestra ocuparia também outros palcos e seria eixo em torno do qual vai nascer projeto de educação musical da prefeitura; secretário Juca Ferreira criticou “ataque especulativo” em torno de estudos feitos por sua gestão

A direção do Teatro Municipal apresentou na manhã de hoje, em reunião do Conselho Deliberativo da fundação responsável por sua gestão, duas propostas relacionadas aos corpos estáveis da casa. A primeira diz respeito ao Coral Paulistano: a ideia é que ele deixe o Municipal e seja cedido à Secretaria Municipal de Cultura, passando a ter uma programação não apenas no teatro e na Praça das Artes mas em outros palcos da cidade, comos os CEUs e os teatros de bairro, resgatando a vocação de divulgar a música brasileira e incorporando em seu nome o de seu fundador, Mário de Andrade. A segunda proposta se refere à Orquestra Experimental de Repertório: ligada ao departamento de formação do Municipal, ela se tornaria o eixo principal de um novo projeto educacional e, em 2014, teria uma temporada de catorze concertos – no Municipal e em outros teatros –, além de uma ópera e um balé.

A pedido dos conselheiros, uma nova reunião será marcada nos próximos quinze dias para que possa ocorrer a votação a respeito destes temas. Um dos membros do conselho, o filósofo Vladimir Safatle pediu que o maestro Jamil Maluf, diretor da Experimental, seja ouvido no próximo encontro. Ainda assim, as duas propostas apresentadas vão em sentido contrário a especulações feitas nos últimos meses a respeito do futuro dos dois grupos. Sobre o Coral Paulistano, corriam rumores sobre a fusão com o Coral Lírico Municipal, hipótese estudada mas descartada na apresentação feita durante a reunião pela direção do teatro. Da mesma forma, a ida da Experimental de Repertório ao Teatro Paulo Eiró, deixando o Municipal, o que levantou a hipótese de um esvaziamento do grupo, também não foi considerada.

No início da reunião, que foi transmitida pela internet, o secretário Juca Ferreia criticou o que chamou de “ataque especulativo” que, segundo ele, está rondando o Municipal. “Há a tentativa de provocar uma crise que não existe, criando um clima falso e politizando o debate. Não houve decisão alguma sobre essas questões. O que fizemos foi estudar algumas questões, o que é nossa obrigação, faz parte do processo de busca por uma gestão que valorize o equipamento público.” Ele citou como exemplo os boatos sobre a Orquestra Experimental de Repertório do Municipal. “O grupo, nos útimos anos, dentre os corpos estáveis, foi o que desenvolveu o trabalho mais regular, obtendo os melhores resultados. Tanto que, há três meses, chamei o maestro Jamil Maluf e encomendei a ele um projeto educacional de grandes proporções para o município. Como, então, podem me acusar de querer acabar com a orquestra? Há um plano para a cultura da cidade que inclui a democratização e a descentralização. E para isso, preciso dos corpos estáveis. Não existe nada contra o maestro Maluf, mas é preciso que todos que participam dessa gestão estejam dispostos a saber conversar e mediar.”

Durante a reunião foi apresentada a temporada oficial de óperas do teatro para o ano que vem, que traz algumas mudanças com relação à lista de apresentada em julho pelo maestro Neschling. Estão mantidas “Il Trovatore”, “Falstaff”, “Carmen”, “Cavalleria Rusticana/I Pagliacci”, “Salomé” e “Tosca”; entrou na lista uma nova obra de Francis Hime; no lugar de “La Bohème”, será encenada “Satyagraha”, de Phillip Glass (com a Orquestra Experimental de Repertório); e “Così Fan Tutte” foi cancelada. A temporada terá também concertos sinfônicos – no Municipal e em outros teatros – e, na Praça das Artes, estão mantidos os concertos do Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo e a série dedicada à música instrumental brasileira.

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