Perguntas, perguntas, perguntas

João Luiz Sampaio

05 de novembro de 2009 | 21h53

E o que acontece com o Teatro Municipal? Fatos primeiro. O maestro Jamil Maluf pediu demissão na semana passada, aceita na noite de terça pelo secretário municipal de Cultura. Segundo me disse, deixou o cargo para “facilitar a passagem, ainda informalmente, para a nova estrutura de funcionamento”. E que estrutura seria essa? Nota oficial da secretaria (leia a íntegra no site da Concerto) diz que o teatro vai ser transformado em uma fundação. E que a fundação não terá um diretor artístico mas, sim, um conselho de orientação artística, formado pelos responsáveis por cada um dos corpos estáveis, entre eles o próprio Maluf, que se manteve à frente da Orquestra Experimental de Repertório. Perguntei à secretaria quando sai o projeto da fundação. A resposta é de que ele está pronto e deve ser votado ainda este ano. Ainda falta muito a saber – como é esse projeto? que relação estabelece entre fundação e prefeitura? que cara tem o contrato de gestão? quanto tempo dura? como será a rotatividade do conselho? Não se questiona a importância de um modelo mais moderno de gestão para o Municipal, reivindicação antiga. O que se espera é que a secretaria venha a público com as informações, de enorme relevância, sobre como ele será criado e colocado em prática.

Enquanto a fundação não vem, no entanto, há outra questão premente: a Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) suspendeu no início da semana, por tempo indeterminado, a licitação internacional para a reforma do palco do Municipal. Diz texto do Jornal da Tarde: “A decisão foi publicada no Diário Oficial. O projeto é patrocinado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e faz parte das obras de restauro e de conservação do edifício, orçadas em R$ 5,8 milhões. O BID entra com R$ 4,93 milhões (85%) e a Prefeitura com R$ 870 mil (15%). Rubens Chamma, da Emurb, afirma que a medida foi tomada após questionamentos das empresas concorrentes.” Para o Estadão, deu mais detalhes: “É uma licitação inédita e difícil, precisamos explicar para as empresas como funciona o trâmite da concorrência.” No entanto, o Tribunal de Contas do Município já havia suspendido uma licitação internacional para a reforma do palco, em fevereiro de 2007, da mesma Emurb. A reforma foi anunciada pela primeira vez em outubro de 2006. No novo pacote de revitalização está incluída a reforma de dois espaços internos: o restaurante/bar e o Salão Nobre. O edifício faz parte do patrimônio histórico do município desde 1981 e as intervenções são acompanhadas pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).”

O fato é: a reforma, ao que parece, parou de novo. E o que acontece com a programação? Os concertos na sala Olido são uma boa ideia e devem continuar, imagino. Mas e a ópera? Parar de produzir é mesmo a solução? Não haveria palco alternativo para os corpos estáveis do Municipal? Os teatros de bairro, o Paulo Eiró, por exemplo… Seria demais sonhar em uma parceria com o Teatro São Pedro? Com o Municipal fechado, aqui e no Rio – e sem data para reabrir – o prognóstico da ópera no Brasil é dos mais complicados. A secretaria de Cultura fica devendo uma resposta.

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