Diário (musical) de Londres – 6 / Voltando…

João Luiz Sampaio

23 de agosto de 2012 | 15h53

Embarco daqui a pouco de volta para o Brasil, depois de dez dias de imersão na vida musical londrina. Há muito a contar – e alguns projetos que pude conhecer serão temas de matérias para o jornal. Boa parte da minha viagem foi dedicada a conhecer projetos educacionais – além do trabalho realizado pelo Proms, fiquei particularmente impressionado com a estrutura criada pela Sinfônica de Londres, da mesma forma que a visita ao Sage Gateshead, no norte da Inglaterra, me fez repensar muito algumas convicções sobre a relação das pessoas com a música. O prédio, construído às margens do rio Tyne e assinado por Norman Foster, é grandioso – mas ali dentro o ambiente humano se constroi por meio de relações delicadas, especiais na maneira como utilizam a música como ferramenta. Foram conversas interessantes, em especial porque eles acabam de ser selecionados para um projeto – uma versão britânica do Sistema venezuelano – e então foi possível ver de perto os desafios que eles estão se colocando, em uma realidade bastante distinta da que temos na América Latina, o que não exclui alguns pontos de contato. Mas, claro, ao longo dos últimos dias também estive em alguns concertos muito interessantes. No Proms, acompanhei um audacioso programa de duas horas de música de John Cage, com Ilan Volcov e Sinfônica da BBC. E pude ouvir tanto a Filarmônica quanto a Sinfônica de Londres. A primeira fez um programa Mahler/Tchaikovsky com Vladimir Jurowski – mas quem me impressionou mesmo foi a mezzo Alice Coote, um timbre escuro, expressivo, um cuidado ímpar com as palavras nos “Lieder eine Fahrender Gesellen”. Agora, em temos de sonoridade, de equilíbrio, a London Symphony é um espetáculo à parte. Vi eles fazendo a “Cinderela”, de Prokofiev – com Valery Gergiev regendo. Um dia antes, por puro acaso, consegui assistir um pouco do ensaio deles, na Igreja de St. Luke, transformada em quartel general do grupo. Mas, enfim, hora de voltar. Soube agora, via Norman Lebrecht, que os instrumentos da Osesp estão presos na alfândega por conta da greve da Polícia Federal… Que a volta me seja mais leve…

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