Diário (musical) de Londres – 4 / O Proms

Diário (musical) de Londres – 4 / O Proms

João Luiz Sampaio

16 de agosto de 2012 | 11h28

“Oferecer música clássica de qualidade, para o maior número de pessoas.” Sentado na sala Henry Cole do Royal Albert Hall, no centro de Londres, Roger Wright se diverte lembrando que é bem provável que os criadores do Proms, em 1895, tenham definido o festival com as mesmas palavras. “No fundo, é isso mesmo. O que mudou foi a percepção de novos desafios, trazidos pela tecnologia e pela necessidade, sempre presente, de ampliar as plateias, buscar novos públicos”, diz. Wright é diretor do Proms desde 2007, ocupação que divide com a de controlador geral da BBC 3, emissora de rádio estatal dedicada à música clássica – e também responsável pelo Proms (abreviatura de Promenade Concerts). Isso significa que ele é encarregado de montar uma temporada anual de cerca de 100 concertos, realizados entre o final de julho e o começo de setembro, todos eles transmitidos ao vivo pelo rádio – e um terço deles também pela televisão, caso, por exemplo, do concerto realizado pela Osesp na noite de quarta-feira.

Relizado no verão, o festival não deixa a capital. Faz questão de ser uma opção para quem fica – e quem visita a cidade. “E, em tempos de internet, nossas transmissões podem chegar a qualquer lugar do mundo por meio do nosso site”, diz Wright. “É importante ter isso em mente quando programamos. Que público eu quero atingir? Todos, do jovem estudante à família que vem reunida assistir a um concerto. O foco é cativar ainda mais o público tradicional e, ao mesmo tempo, inovar, arriscar, para ser capaz de atrair pessoas que nunca estiveram em um concerto.” Nesse sentido, é fundamental o valor dos ingressos – o mais barato custa 7 libras, com o qual é possível ver de pé o concerto, na área central, onde normalmente. “Quem paga mais barato, está mais perto do palco, e isso é interessante”, diz Wright. Mas não basta cobrar barato. E, desde 2002, o Proms tem realizado em todo o Reino Unido um projeto de educação musical. Encarregada, a Ellana Wakely explica que seu trabalho foi transformar trabalhos comunitários em uma rede integrada de ações, cuja palavra chave é “participação”. “Nossa função é dar as ferramentas para que as pessoas absorvam a música no dia a dia”, diz. Isso significa desde aulas de musicalização nas escolas até a criação de orquestras familiares, montadas nas comunidades, passando por sete laboratórios de composição espalhados pelo Reino Unido. “Músicos da BBC e compositores mais experientes trabalham com os jovens, estimulam eles a criar suas próprias composições, que depois são selecionadas e podem chegar a ser tocadas em concerto do Proms.”

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