Diário (musical) de Londres – 3 / Encontro com Marin Alsop

João Luiz Sampaio

16 de agosto de 2012 | 11h26

É curioso como aqui em Londres o maestro Yan Pascal Tortelier é bastante respeitado. Durante seus três anos na Osesp, ele não conseguiu empolgar público, críticos ou mesmo os músicos. Alguns deles, com quem conversei aqui, fazem questão de chamar atenção para o fato de que Alsop demonstra o comprometimento que Tortelier jamais teve em suas passagens pelo País. Certo, seu mandato era provisório, isso foi sempre deixado claro, em especial por ele mesmo. Mas a consequência é que a orquestra ficou três anos sem um regente titular presente, com uma ideia clara a respeito de sonoridade e desenvolvimento de repertório a longo prazo. É isso que se espera de Marin Alsop. Em uma conversa que teve com o público pouco antes do concerto, no Royal College of Music, ela falou um pouco sobre isso. Seu conceito de sonoridade está associado, diz, à diversidade de repertório. Não é possível falar em som marcante. A grande orquestra, hoje, é a que sabe fazer Mahler soar como Mahler, Mozart soar como Mozart, e assim por diante. Em todos eles, no entanto, o equilíbrio interno é fundamental. Ela falou também de sua chegada a São Paulo – e a má impressão que a cidade então lhe causou. Com o tempo, porém, disse ter descoberto que a beleza de São Paulo não está na paisagem, mas nas pessoas. Ela definiu o Brasil como uma terra de oportunidades e elogiou o “potencial e o entusiasmo” da Osesp.

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