Devaneios operísticos

João Luiz Sampaio

18 de abril de 2010 | 13h52

Acontece com todo mundo. A gente acorda e, por algum motivo, lá está aquela música na cabeça, como um mantra que vai aos poucos nos despertando do torpor inicial da manhã. No meu caso, no entanto, não foram apenas as manhãs, mas também as tardes e noites entrecortadas dos últimos dias, nos quais fiquei de cama com problemas no estômago e uma infecção no ouvido – precisa mais? Um princípio de gripe. Antes que me chamem de hipocondríaco, já deixo claro: odeio ficar doente e muito menos ficar parado, ansioso demais para voltar à rotina normal. Mas essa já é outra doença… Enfim, falávamos de música. Pois então, nesses dias acordei, dormi, acordei pensando primeiro no dueto da “Lucia di Lammermoor”, “Verrano a Te”, entre Lucia e Edgardo; e, em seguida, vinha à mente o dueto da “Norma”, “Va, crudele”, entre Pollione e Adalgisa. Devo confessar que não sou particularmente fã de nenhuma das duas óperas – e falo isso já sentindo os raios e trovões doscolegas operistas se precipitarem sobre minha cabeça! Mas a vontade de ouvir os dois duetos não saiu da cabeça. E um terceiro acabou se juntando à turma: o dueto entre Gérald e “Lakmé” , “D’Où viens tu?”, da “Lakmé”, de Delibes. Bellini e Donizetti juntos eu até entendo, as óperas estrearam próximas uma da outra, o estilo é o mesmo; Delibes já está mais próximo do fim do século 19, ainda que recupere a linguagem do bel canto na “Lakmé”. Mas que meu inconsciente fique buscando essas coerências é meio sem graça, não? Bom, talvez tenham sido os temas, três duetos de amor impossível – mas aí, convenhamos, caberia qualquer dueto de qualquer ópera de qualquer época, não? Vai entender… E para quem quiser compartilhar a loucura, pesquei três vídeos interessantes no YouTube:

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