Com Mahler na cabeça, rumo à maratona da Virada Cultural

João Luiz Sampaio

15 de maio de 2010 | 11h46

Estive ontem na Sala São Paulo para assistir à Osesp comandada por John Nelson em um programa Mahler/Schumann. Eles começaram com Manfred, versão musical do poema de Lord Byron sobre o herói romântico que se refugia nos Alpes, atormentado por desejos, à espera da morte. Na sequência, o Ruckert Lieder. Há toda uma relação interessante entre a figura romântica de Lord Byron/Schumann e a desconstrução romântica de uma canção como Ich Bin der Welt. Mas achei o Manfred pesado, embolado, pouco preciso – e a regência para o Mahler um pouco apressada, superficial, desconectada do canto da incrível mezzo Petra Lang. Gente, que voz! Um timbre bonito, com graves cheios e ainda assim delicados, e uma região aguda brilhante. E ela é excelente intérprete, atenta à construção das frases, inteligente na exploração dos contrastes e capaz de pianíssimos que ainda não me saíram da mente! Enfim, uma lição de técnica e de expressividade. Na segunda parte, Nelson compensou em grande estilo e fez uma excelente Sinfonia nº 2 de Schumann, transparente, fazendo a Osesp soar como nos seus melhores dias.

E hoje tem Virada Cultural, que pela primeira vez está oferecendo uma programação erudita mais ampla. O site da revista Concerto fez um favor a todos nós e separou, em meio ao caos da programação, uma lista dos concertos e recitais do evento. Vou começar às 18 horas com o Quaternaglia, na Pinacoteca, assistir às orquestras no palco da Luz e acompanhar os recitais de piano na praça Dom José Gaspar. Só uma interrupção, no meio do caminho, para ver a Sinfônica da USP na Sala São Paulo, com programa com obras de Silvio Ferraz, Rachmaninoff e Schumann. Regência de Lígia Amadio.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: