Clássicos e/ou eruditos

João Luiz Sampaio

08 de fevereiro de 2009 | 13h17

Bragatto reclama da denominação do blog – pede que em vez de música clássica seja utilizada a expressão música erudita. Rodrigo aproveita e, na onda, pede para que se explique a diferença entre elas. Música clássica, a rigor, faz referência à música produzida durante o classicismo, ou seja, da segunda metade do século 18 ao início do século 19, época que tem Mozart e Haydn como grandes representantes (Beethoven já simbolizaria a transição em direção ao Romantismo). Com o tempo, no entanto, o termo “clássico” acabou englobando, no uso cotidiano, todas as épocas. Música erudita seria uma tentativa de definição mais ampla. Erudita seria, com ajuda do dicionário, uma música de grande sofisticação, criada a partir de diversas e complexas fontes e exigindo métier na sua confecção. Sendo assim, além da pecha rançosa que o termo carrega, quem já ouviu Miles Davis ou outros grandes artistas do jazz e da música popular poderia muito bem questionar a exclusividade do termo. Há ainda outras opções: música de invenção (o problema aqui é o mesmo), música de concerto (recitais também seriam concertos?). E por aí vai, com um aspecto em comum: são todas convenções. Por tudo isso, fico com a forma consagrada no mundo todo: “música clássica”, prometendo que não vou me restringir à música de Mozart e Haydn. Estamos acertados?

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