Cinco vezes Nelson

Cinco vezes Nelson

João Luiz Sampaio

06 de agosto de 2014 | 09h00


Durante muitos anos, o pianista Nelson Freire evitou os estúdios de gravação. Até que, no começo dos anos 2000, assinou um contrato com o prestigiado selo Decca. Na época, ele deu a seguinte explicação: a carreira de um pianista significa viajar o mundo constantemente, indo de um canto a outro – e, quem sabe, os discos poderiam fazer esse trajeto por ele, deixando sua rotina um pouco mais tranquila.

Bom, o plano não deu certo. Só este ano, Freire já esteve na Rússia, no Oriente Médio, na América Latina, na Europa – e daqui a pouco volta ao Brasil, em setembro, como solista da Philarmonia Orchestra, que será regida por Vladimir Ashkenazy em concertos da temporada do Mozarteum Brasileiro.

E Freire chega, desta vez, com mais dois novos discos na bagagem: em um deles, interpreta o Concerto Imperador, de Beethoven, com a Orquestra do Gewandhaus, de Leipzig, regida por Riccardo Chailly; no outro, na verdade uma caixa com três discos, estão reunidas gravações suas feitas ao vivo nos anos 60 e 70.

Beethoven é uma das especialidades de Freire – e o resultado da parceria com o maestro Chailly nos concertos de Brahms, lançados há alguns anos, só fazem aumentar a expectativa pelo ábum, ainda mais porque, pelo que se fala, ele abre uma série de discos que terá os cinco concertos para piano do compositor. Em tempo: o pianista vai interpretar justamente o Imperador nos concertos com Ashkenazy.

E, enquanto esperamos a chegada dos discos: o canal Arte 1 hoje exibe, às 20h30, o documentário sobre o pianista feito por João Moreira Salles. Luiz Carlos Merten costuma me dizer que ainda não chegou o dia em que ele vai levar a sério minhas opiniões sobre cinema, então nem vou arriscar dizer o que penso do filme – a não ser, claro, para falar que o documentário me parece, na forma, o melhor retrato – talvez o único possível – do músico e homem que é Nelson Freire. O mesmo canal, aliás, exibe, no dia 10, às 22h30, um recital dado por Freire no Festival de Verbier, na Suíça.

Ou seja, nas próximas semanas, cinco vezes Nelson Freire. E nunca parece ser demais…

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