Caso OSB: E agora?

João Luiz Sampaio

09 Abril 2011 | 20h56

A reunião de ontem entre Fundação OSB e músicos havia levado a um pré-acordo, que colocaria fim ao impasse surgido desde que os músicos se recusaram a aceitar as provas de avaliação. Menos de 24 horas depois, no entanto, os acontecimentos do dia põem em dúvida a possibilidade de uma solução próxima para o caso. O dia amanheceu com uma entrevista do presidente da Fundação, Eleazar de Carvalho Filho, no jornal “O Globo”, sugerindo diálogo mas defendendo novamente a “posição legal” da fundação e, um tanto belicosamente, afirmando que a instituição, fortalecida em seu desejo de “melhoria artística”, jamais será “refém” de um grupo de músicos (vale lembrar, seguindo esse raciocínio, que se a instituição é maior do que os músicos, é, por definição, maior também do que maestros e conselheiros). Por sua vez, agora à tarde, os músicos foram às ruas para protestar contra as demissões e, dentro do Teatro Municipal, uma mistura de vaias e aplausos recebeu o maestro Roberto Minczuk, enquanto os músicos da Orquestra Sinfônica Jovem Brasileira deixavam o palco, se recusando a tocar, em apoio aos colegas da sinfônica profissional. O caso voltou a pegar fogo na internet: um vídeo da tarde de ontem já foi postado; e, depois dos cancelamentos de Cristina Ortiz e Nelson Freire, agora é uma carta do compositor Marlos Nobre, dizendo que proíbe qualquer execução de sua obra pela “nova OSB”, que circula rapidamente pelas redes sociais. Ao mesmo tempo, vários artistas têm manifestado a opinião de que, enquanto estiver na mesa a obrigatoriedade de algum tipo de avaliação, não há acordo possível. O concerto de amanhã da Sinfônica Jovem já foi cancelado e o restante da temporada deve ter destino semelhante. A esperança era de que, já na segunda, um acordo conjunto fosse anunciado. A necessidade de análise em tempo real às vezes nos leva a arriscados exercícios de futurologia. Mas o fato é que, levando em consideração os acontecimentos recentes, qualquer solução que agrade aos dois lados parece distante.

Ao menos por enquanto, é como se a reunião de ontem jamais tivesse acontecido.