Barcelona! Tristão! Isolda!

Barcelona! Tristão! Isolda!

João Luiz Sampaio

03 Fevereiro 2010 | 17h19

BARCELONA – Cada pessoa tem a sua doença e a minha, caso algum leitor do blog ainda não tenha reparado, é a ópera. E é por causa dela que aproveitei uma folguinha e vim correndo para Barcelona para ver amanhã à noite um Tristão e Isolda, de Wagner, no Liceu. O ingresso acima, com La Rambla ao fundo, eu corri para pegar assim que cheguei na cidade – será que estou ansioso? Nos dois papéis principais, estão o tenor Petter Seiffert e a soprano Deborah Voigt. Não me lembro agora o nome da mezzo que faz a Brangäene, mas o barítono que canta Kurwenal é o Bo Skhovus. A regência é de Sebastian Weigle e a produção, de David Hockney (original da Ópera de Los Angeles se não estou enganado). Para quem não se lembra, Voigt foi a soprano barrada no Covent Garden de Londres por estar acima do peso. Pouco depois, fez uma operação para redução do estômago. Já ouvi de tudo. Há quem diga que a voz foi embora; outros, que continua onde sempre esteve – ou ainda que está voltando aos poucos ao normal. Vamos ver o que acontece amanhã. Cheguei no meio da tarde e fui me perder um pouco pela cidade velha, andei pelo mercado da Boquería. Já se vão quase dez anos desde que estive aqui pela última vez e, engraçado, não me lembrava do caos das ruas, da profusão de sons, nacionalidades, muito pelo contrário. A sensação de encantamento com as vielas escuras da cidade velha, no entanto, manteve-se igualzinha, como antes. Essas coisas fazem bem para o espírito. Aliás, vou caminhar mais um pouco por aí. Mais tarde eu volto aqui para postar sobre o concerto da Filarmônica de Nova York com Alan Gilbert que vi ontem à noite em Paris.