Até quando?

João Luiz Sampaio

13 de março de 2011 | 00h20

RIO – Enquanto um funcionário limpa cuidadosamente o busto de bronze de Getúlio Vargas, que observa solitário o vasto saguão do Ministério do Trabalho, no centro do Rio, músicos começam a chegar de todos os lados. Instrumentos na mão, discurso na ponta da língua. “Não dá para aceitar mais isso”, diz um deles. “Olha só, eles suspenderam o seu Virgílio, 80 anos, mais de 40 de orquestra”, reclama outro. Pouco depois, eles já são um grupo de quase cem pessoas – e na avenida em frente do ministério, tocando Aquarela do Brasil, protestam contra a decisão da Fundação Orquestra Sinfônica Brasileira de fazer provas de reavaliação de seus integrantes. A cena impressiona, mas não é nova. Em 2009, situação semelhante ocorreu no Rio, desta vez com os músicos do Teatro Municipal, preocupados com sua situação trabalhista. Em Porto Alegre, também em 2010, músicos da Sinfônica entraram em greve. Em São Paulo, na semana passada, um maestro interrompeu um concerto da Sinfônica Municipal para protestar contra a situação dos músicos, que, entre outras coisas, ficaram três meses sem salário, problema que já dura décadas e que, em anos anteriores, já provocou diversas paralisações e passeatas nas escadarias do Teatro Municipal. Salários baixos, falta de verbas, relação conturbada entre músicos, maestros e administrações de orquestras e teatros: se os problemas são antigos e, mais ainda, facilmente identificáveis, por que permanecem, transformando paralisações e crises como a que hoje atormenta a Sinfônica Brasileira em fantasmas sempre presentes na vida musical brasileira? Continua aqui.

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