Andrea Chenier, de Giordano, no Palácio das Artes

Andrea Chenier, de Giordano, no Palácio das Artes

João Luiz Sampaio

25 de outubro de 2010 | 21h03

BELO HORIZONTE

Andrea Chénier, de Umberto Giordano, entrou para a história como a “ópera dos tenores”. E não apenas pela quantidade de árias dedicadas a eles – Chénier, inspirado em personagem real, é o símbolo do herói romântico que luta para defender sua arte e a liberdade em meio a um contexto histórico desfavorável. Na produção estreada no Palácio das Artes de Belo Horizonte, na sexta-feira, o tenor Eric Herrero, de timbre bonito, mostrou-se bastante musical, mas teve dificuldades para projetar a voz sobre a orquestra, prejudicado também pela acústica desfavorável; o mesmo vale para a atuação de Rodolfo Giuliani, que, ainda assim, teve bom desempenho na ária de Gerárd, Nemico della Patria. O restante do elenco, bastante homogêneo, teve como destaques o Fleville de Igor Vieira, o Matthieu de Flávio Leite e a comovente atuação de Ruth Staerke como Madelon. A grande atuação da noite, porém, foi a da soprano Edna D’Oliveira como Maddalena. A montagem a flagra em meio a um processo de mudança de repertório. Há ainda algumas arestas a serem acertadas nas regiões mais escuras da voz, mas sua Maddalena é construída com sensibilidade, atenta às possibilidades expressivas da partitura e foi responsável pelos melhores momentos da noite, acompanhada de perto pela regência de Luiz Malheiro à frente da Filarmônica de Minas Gerais. A montagem de André Heller-Lopes cria uma linguagem cênica contemporânea, que cristaliza e ressignifica por meio de recursos simples e eficazes o contexto da ação – os ideais da Revolução Francesa e a sua subversão – ao mesmo tempo em que dá fluência à narrativa.